Acidentes com motos crescem e pressionam hospitais e serviços de emergência no Brasil
Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como uma epidemia Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como u...
Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como uma epidemia Os acidentes de motos no Brasil já são tratados por especialistas como uma epidemia. Em seis anos, o número de internações cresceu 65%. Já passa de 43 mil o número de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro só este ano. Mais de 150 por dia. A equipe do Jornal Nacional da TV Globo acompanhou uma dessas ocorrências. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “Hoje as motos representam 75% de todos os acidentes de trânsito que a gente atende”, contou o tenente-coronel Fábio Contreiras. “A gente entende que para a gente é uma epidemia.” Jefferson Almeida estava a caminho do trabalho. "Foi muito rápido. Eu só consegui tentar frear e a moto capotou e ele foi embora". Ele passou por uma cirurgia no tornozelo. Em cinco anos, o número de emplacamentos de carros aumentou 11% no país. Já as motos dispararam: 27%. Os serviços de entrega e transporte por aplicativo ajudam a explicar esse crescimento e viraram fonte de renda para muita gente. O repórter Chico Regueira, no Rio de Janeiro, destaca que a frota brasileira hoje passa de 30 milhões de motocicletas (30.965.839). E o impacto desse cenário nas ruas reflete-se diretamente em hospitais e setores de emergência. O número de internações por acidentes não para de crescer. No Rio, por exemplo, 7 em cada 10 atendimentos por traumas são motivados por motos, gerando impactos diretos no custo da saúde pública em todo o país. Em seis anos, as internações por acidentes com motos no Brasil saltaram de 107 mil para quase 178 mil em 2025. No mesmo período, o gasto público subiu de quase R$ 155 milhões para mais de R$ 281 milhões, um aumento de mais de 80%. E só nos cinco primeiros meses deste ano, já foram mais de 72 mil internações, com custo acumulado de quase R$ 120 milhões. VÍTIMAS Bombeiros realizam resgate de motociclista Jornal Naciona O crescimento do número de vítimas virou também um problema de segurança pública e chegou ao Atlas da Violência, um dos principais levantamentos do país sobre o tema. Nos últimos três anos, 19.491 brasileiros morreram em acidentes com motos. Em 2023, foram 5.857 óbitos; em 2024, 6.946; e em 2025, foram 6.688. Erivelton Pires Guedes, pesquisador do IPEA, faz um alerta sobre os dados: “O número de mortos no trânsito no Brasil hoje já é quase o mesmo número de mortos por homicídio. E dentro dos mortos no trânsito, as motocicletas no Brasil como um todo representam cerca de 40% das mortes”. E a velocidade da vida, que acelera ainda mais o trânsito, é parte dos problemas nas ruas. Diminuir o ritmo pode ser parte da solução. “Então é fundamental que a gente baixe a velocidade das cidades e que a gente implemente mecanismos de regulação dos sistemas de mobilidade por aplicativo”, analisa Clarisse Cunha Linke, diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento. Além disso, Erivelton Guedes, pesquisador do Ipea, aponta ainda outro problema: “a Senatran estima que cerca de metade dos proprietários de motos não possuem habilitação”. “Está faltando medidas preventivas para a gente combater esse problema que tá se agravando dia a dia. E as medidas, elas são de várias formas, né? Infraestrutura, fiscalização, educação, acesso a emprego, acesso à educação". LEIA TAMBÉM Quase metade das mortes no trânsito de SP envolve motociclistas; pressa nas entregas aumenta riscos