cover
Tocando Agora:

Aquecimento global fez mares da Europa ficarem até 6°C acima do normal este ano, aponta estudo

Vista do Mar Mediterrâneo. Lionel Cironneau/AP Photo O aquecimento global provocado pelas atividades humanas fez os mares ao redor da Europa atingirem temperat...

Aquecimento global fez mares da Europa ficarem até 6°C acima do normal este ano, aponta estudo
Aquecimento global fez mares da Europa ficarem até 6°C acima do normal este ano, aponta estudo (Foto: Reprodução)

Vista do Mar Mediterrâneo. Lionel Cironneau/AP Photo O aquecimento global provocado pelas atividades humanas fez os mares ao redor da Europa atingirem temperaturas excepcionais em 2026. Em algumas áreas, a superfície do oceano ficou mais de 6°C acima do normal, segundo uma nova análise da World Weather Attribution (WWA), um grupo internacional de cientistas especializados em assuntos climáticos. No estudo, os pesquisadores analisaram águas que vão dos mares próximos à Irlanda e ao Reino Unido até o Golfo da Biscaia, a Península Ibérica e o Mediterrâneo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia ➡️Em todas essas regiões analisadas, a temperatura do mar mostrou forte tendência de alta, com destaque para o Mediterrâneo, que aquece mais rápido que a média global. Já a parcela atribuída diretamente à mudança climática foi de cerca de 2°C no Mediterrâneo, 1,4°C no Golfo da Biscaia e na Península Ibérica e 1,3°C nos mares próximos às Ilhas Britânicas. “Este foi um verão extraordinário para o calor na Europa, mas os impactos em nossas águas costeiras não recebem a mesma atenção”, afirmou Claire Bergin, pesquisadora do Centro de Pesquisa Climática ICARUS, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, e uma das autoras do trabalho. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Para chegar aos resultados, os cientistas observaram principalmente os períodos de 14 dias com as maiores temperaturas da superfície do mar e compararam o clima atual, já cerca de 1,4°C mais quente que no período pré-industrial, com um mundo sem o aquecimento provocado pelo ser humano. Os resultados mostram o quanto esse novo cenário já deixou de ser excepcional. Em três das quatro regiões estudadas, as temperaturas registradas seriam praticamente impossíveis em um clima pré-industrial. No Mediterrâneo Ocidental, as observações indicam aumento de cerca de 3,1°C nas temperaturas extremas da superfície do mar, enquanto no Mediterrâneo Oriental a alta chega a aproximadamente 2,6°C. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Calor no mar também muda a vida fora dele Ondas de calor marinhas são períodos de vários dias em que a temperatura do oceano fica muito acima do normal para aquela região. Quando esse calor se prolonga, pode provocar a morte de organismos mais sensíveis, como corais, esponjas e grandes algas. O problema é que essas espécies ajudam a formar e sustentar habitats no fundo do mar. Com a perda delas, os efeitos podem se espalhar pela cadeia alimentar e atingir outros animais, como peixes, aves e mamíferos marinhos. “Enquanto algumas espécies conseguem se deslocar para o norte, outras simplesmente não conseguem escapar”, afirmou John Bruno, ecólogo marinho da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Segundo ele, o aumento das temperaturas aproxima muitos organismos de seus limites de adaptação e ameaça também a pesca e a produção de alimentos nas regiões costeiras. Justamente por isso, a dimensão das ondas de calor marinhas também chamou a atenção dos pesquisadores. Em 2026, cerca de 90% da região do Golfo da Biscaia e da costa da Península Ibérica passou por essas condições. Calor nos mares da Europa. Arte/g1 Em um mundo sem os atuais 1,4°C de aquecimento provocado pelo ser humano, a estimativa seria de cerca de 40%. No Mediterrâneo Oriental, quase 70% da região foi afetada, contra apenas 9% nesse cenário mais frio. E os efeitos também chegam às áreas costeiras. Com o mar mais quente, o ar tende a ficar mais úmido e as noites podem ser mais abafadas. Esse excesso de calor e umidade também pode alimentar episódios de chuva intensa quando há condições favoráveis para a formação de tempestades. Aliado a tudo isso, o cenário pode piorar nas próximas décadas. Se o planeta chegar a 2,8°C de aquecimento em relação ao período pré-industrial, os pesquisadores estimar que episódios como o registrado em 2026 poderiam ter temperaturas entre 1,3°C e 1,9°C ainda maiores. “Não podemos simplesmente nos adaptar e sair dessa situação”, afirmou Friederike Otto, professora de Ciência do Clima do Imperial College London e uma das autoras da análise. LEIA TAMBÉM: Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados; veja o que esperar 'Ao me ver, chore': A história por trás das 'pedras da fome' da Europa ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'