cover
Tocando Agora:

Cientistas descobrem ave do Jurássico que não voava e vivia no chão

Reconstrução artística de Yuezhuornis yangyuanensis, ave do Jurássico que não voava e vivia no chão. Chung-Tat Cheung Uma ave que viveu há cerca de 150 m...

Cientistas descobrem ave do Jurássico que não voava e vivia no chão
Cientistas descobrem ave do Jurássico que não voava e vivia no chão (Foto: Reprodução)

Reconstrução artística de Yuezhuornis yangyuanensis, ave do Jurássico que não voava e vivia no chão. Chung-Tat Cheung Uma ave que viveu há cerca de 150 milhões de anos, no período Jurássico, não voava e provavelmente passava boa parte do tempo no chão. A nova espécie, batizada de Yuezhuornis yangyuanensis, foi identificada a partir de um fóssil encontrado na província de Fujian, no sudeste da China. O estudo, publicado nesta última quarta-feira (14) na revista científica "Nature", sugere que os primeiros representantes da linhagem das aves já tinham modos de vida bem mais variados do que se imaginava. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Até pouco tempo atrás, o registro fóssil do Jurássico era escasso e boa parte do que se sabia sobre as primeiras aves vinha de espécies adaptadas ao voo, como o Archaeopteryx. O novo fóssil ajuda a ampliar esse quadro. O Yuezhuornis tinha cerca de 50 centímetros de comprimento e pesava aproximadamente 821 gramas. Seus braços eram bem mais curtos do que as pernas, uma característica diferente da encontrada em muitas aves primitivas capazes de voar. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Agora no g1 Para entender como o animal vivia, os pesquisadores compararam as proporções de seus membros às de 377 espécies de aves atuais. O resultado aproximou o Yuezhuornis principalmente de animais terrestres. Outras características do esqueleto, como os braços reduzidos e a cauda longa, também levaram os cientistas a concluir que ele não era capaz de voar. ➡️ A descoberta sugere que, já no início da evolução das aves, algumas espécies voavam, enquanto outras ocupavam o solo e exploravam ambientes diferentes. Outro detalhe incomum estava nos pés. O segundo dedo tinha uma estrutura muito flexível e uma grande garra curva, parecida com a encontrada em alguns grupos de dinossauros predadores próximos do famoso Velociraptor. Segundo uma análise publicada na própria Nature sobre o estudo, essa garra poderia ter ajudado o animal a agarrar presas, reforçando a ideia de que ele tinha um modo de vida terrestre e predador. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas O Yuezhuornis também não estava sozinho. Outros fósseis encontrados na mesma região da China indicam que, há cerca de 149 milhões de anos, conviviam ali espécies bastante diferentes entre si: algumas voavam, outras tinham capacidade limitada de voo e havia ainda animais de pernas longas associados a áreas alagadas. Para os pesquisadores, essa variedade sugere que a diversificação dos primeiros pássaros começou cedo, poucos milhões de anos depois do surgimento desse grupo. A descoberta também abre uma questão sobre a própria história do voo. Uma possibilidade é que os ancestrais do Yuezhuornis fossem capazes de voar e que a espécie tenha perdido essa capacidade ao longo da evolução. Outra é que diferentes grupos tenham desenvolvido características ligadas ao voo de forma independente. Ainda, porém, não é possível fechar essa questão. O Yuezhuornis é conhecido a partir de um único esqueleto incompleto, e novos fósseis serão necessários para entender melhor como ele vivia e qual foi seu papel nos primeiros capítulos da evolução das aves. LEIA TAMBÉM: Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados; veja o que esperar 'Ao me ver, chore': A história por trás das 'pedras da fome' da Europa ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'