cover
Tocando Agora:

Com candidato de direita na frente, eleições na Colômbia vão para o 2º turno

Segundo turno na Colômbia terá direitista contra governista Nenhum candidato conseguiu vencer a eleição presidencial da Colômbia em primeiro turno neste do...

Com candidato de direita na frente, eleições na Colômbia vão para o 2º turno
Com candidato de direita na frente, eleições na Colômbia vão para o 2º turno (Foto: Reprodução)

Segundo turno na Colômbia terá direitista contra governista Nenhum candidato conseguiu vencer a eleição presidencial da Colômbia em primeiro turno neste domingo (31). Com 99,74% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella terminou na liderança com 43,7% dos votos, seguido pelo esquerdista Ivan Cepeda, que obteve 40,90%, e disputarão o segundo turno em 21 de junho. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dois candidatos apareciam como favoritos para a disputa presidencial. Quem é Espriella? Líder nas urnas no 1º turno, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. O candidato afirma admirar políticos de direita, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele — com quem tem certa semelhança física. De la Espriella ganhou força na reta final da campanha. Ao contrário de Cepeda, ele não acredita que o problema das guerrilhas será resolvido por meio do diálogo. Para enfrentar a questão, promete uma ofensiva militar. Dois integrantes da campanha do candidato foram mortos a tiros em 15 de maio. De la Espriella também acusou integrantes da inteligência colombiana de participarem de um plano para assassiná-lo. Conhecido pelo apelido de "El Tigre", o advogado também defende retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover "políticas de esquerda". Ao mesmo tempo em que adota um discurso linha-dura, o candidato mantém um site chamado "De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e até roupas em que aparece como garoto-propaganda. De la Espriella também se envolveu em polêmicas. Em uma entrevista na TV, por exemplo, se gabou do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos. O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações surgirem. Segundo ele, os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos. Quem é Cepeda? Senador e filósofo, Ivan Cepeda faz parte do partido Pacto Histórico e representa a esquerda colombiana. O senador tem 63 anos e defende a continuidade das políticas adotadas pelo governo Petro. Ele ficou conhecido principalmente por atuar na mediação das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016. Apesar do acordo, no qual as Farc concordaram em se desarmar, grupos dissidentes da guerrilha continuam ativos e são apontados como responsáveis pela violência no país. Cepeda também foi pivô de um processo judicial que resultou na prisão do ex-presidente Álvaro Uribe. Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de organizar um complô para ligá-lo a grupos paramilitares Seis anos depois, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas por meio de terceiros. Em 2025, porém, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu o ex-presidente das acusações de suborno e fraude processual. Como candidato à Presidência, Cepeda defende o diálogo como forma de encerrar o conflito armado com guerrilhas. Também apoia o aumento do salário mínimo, a redução de benefícios para congressistas e uma reforma agrária. O senador promete dar continuidade às políticas sociais implementadas durante o governo de Gustavo Petro. A gestão de esquerda assumiu o país em meio aos impactos econômicos da pandemia e registrou aumentos do salário mínimo e queda do desemprego, mas também enfrentou críticas pelo aumento do déficit fiscal e dificuldades para aprovar parte de sua agenda no Congresso. Mesmo assim, a economia não aparece entre as principais preocupações dos colombianos. Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês apontou a segurança pública como o principal problema do país para 40% dos entrevistados, enquanto desemprego e economia foram citados por 11%. Foi nesse cenário que De la Espriella ganhou força na disputa. Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita). Reuters Criminalidade O combate ao crime dominou a campanha presidencial. Um dos principais pontos de divergência entre os candidatos é a forma de lidar com as guerrilhas e organizações criminosas que atuam no país. As Farc são uma guerrilha considerada terrorista pelos EUA e surgiram na década de 1960. O conflito travado pelo grupo contra paramilitares e forças estatais ao longo de cinco décadas deixou mais de 250 mil mortos e provocou o deslocamento de milhões de pessoas. O acordo mediado com a ajuda de Cepeda em 2016 levou as Farc a aceitarem o desarmamento. Mesmo assim, grupos dissidentes continuam ativos e são apontados como responsáveis por parte da violência no país. Na quinta-feira (28), por exemplo, um confronto entre duas facções dissidentes das Farc deixou 52 rebeldes mortos na Amazônia colombiana. Os grupos criminosos disputam controle territorial em áreas do país, além de lucros ligados ao narcotráfico e à mineração ilegal. Enquanto Cepeda defende ampliar as negociações com grupos armados, seus críticos afirmam que a política de diálogo não produziu os resultados esperados. Setores da direita argumentam que organizações criminosas se aproveitaram das negociações para ampliar sua influência. Já De la Espriella defende uma estratégia de enfrentamento militar e a construção de 10 megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou. Preocupações Agentes de segurança fazem a guarda na rua antes do primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia, em 29 de maio de 2026 REUTERS/Luisa Gonzalez Além das divergências sobre segurança pública, a campanha também levantou preocupações sobre o impacto das propostas dos favoritos sobre as instituições democráticas do país. Em entrevista à RFI, o economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, afirmou que candidatos tanto da esquerda quanto da ultradireita têm adotado discursos que, segundo ele, podem representar riscos ao sistema democrático colombiano. Restrepo cita como exemplo declarações do ultraconservador Abelardo de la Espriella, que questiona garantias judiciais, direitos humanos e a livre iniciativa ao defender uma política de repressão mais agressiva contra o crime. “O discurso de linha dura pode esconder traços de autoritarismo”, afirmou. O analista também demonstrou preocupação com propostas de Cepeda. O candidato de esquerda defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para alterar a Constituição caso o Congresso rejeite reformas sociais apresentadas por seu governo. “Ou seja, se um dos poderes não aceitar essas reformas, ele quer se impor com uma nova Constituição”, disse. Independentemente de quem vencer a eleição, o próximo presidente pode enfrentar dificuldades para governar. As eleições legislativas de março mostraram que o Congresso continuará fragmentado, como ocorreu durante o governo Petro. O Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda, voltou a ser a maior força política, mas ficou longe de conquistar maioria própria. O resultado indica que o próximo presidente dependerá de negociações constantes para aprovar projetos e reformas. Veja fotos das eleições na Colômbia Um membro da Guarda Indígena Nasa segura material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Membros da Guarda Indígena Nasa se preparam para distribuir material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Membros da Guarda Indígena Nasa distribuem material de campanha no dia da eleição presidencial, em Corinto, na Colômbia. Jair Coll/Reuters Uma pessoa passa por uma placa no centro de votação de Corferias, durante o primeiro turno da eleição presidencial, em Bogotá, Colômbia. Enea Lebrun/Reuters Trabalhadores colam cartazes de campanha do Pacto Histórico no dia da eleição presidencial, em Corinto, Colômbia. Jair Coll/Reuters Funcionários de uma seção eleitoral se reúnem em frente à Escola CELCO San Lucas, onde o candidato presidencial Iván Cepeda votará no primeiro turno da eleição presidencial, em Bogotá, Colômbia. Luisa Gonzalez/Reuters VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1