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Controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano, mostra pesquisa

Pressão alta atinge quase metade dos brasileiros adultos Reprodução/Jornal Hoje Melhorar o controle da pressão alta pode evitar mais de 500 mil mortes por d...

Controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano, mostra pesquisa
Controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares por ano, mostra pesquisa (Foto: Reprodução)

Pressão alta atinge quase metade dos brasileiros adultos Reprodução/Jornal Hoje Melhorar o controle da pressão alta pode evitar mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares anualmente em todo o mundo. ➡️Isso é o que mostram resultados preliminares de um estudo apresentado no Hypertension Scientific Sessions 2026, evento da American Heart Association voltado a pesquisas sobre pressão alta e sua relação com doenças cardíacas e renais, acidente vascular cerebral (AVC), obesidade e genética. A pesquisa analisou dados de saúde de 20 países e constatou que, entre os serviços de saúde preventiva, o cuidado com a pressão arterial é o que tem potencial para salvar o maior número de vidas – evitando 518.476 mortes por ano. Scott Pilla, professor associado de medicina na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e autor principal do estudo, explica que o número se trata de uma estimativa, uma vez que os pesquisadores utilizaram um modelo para simular a realidade. "Eu diria que esse número é uma aproximação baseada nos melhores dados disponíveis e, embora o número possa não ser esse exatamente, eu esperaria que o resultado verdadeiro estivesse dentro dessa faixa geral", analisa o pesquisador, em entrevista ao g1. 👉O levantamento também avaliou o impacto potencial das seguintes outras medidas preventivas como: Tratamento com estatinas - quando indicado para pessoas com colesterol alto, poderia evitar 340.682 mortes cardiovasculares por ano. Controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 - capaz de prevenir outras 309.520 mortes anuais. VEJA TAMBÉM: Risco de pressão alta aumenta 70% ao mudar horários do sono Para se chegar à conclusão de quantas mortes poderiam ser evitadas, os pesquisadores consideraram um cenário em que os serviços de prevenção alcançassem níveis de uso semelhantes ao do sistema de saúde dos Estados Unidos, considerado de alto desempenho. Ainda que as descobertas sejam relevantes e promissoras, visando a ampliação do cuidado preventivo, o trabalho apresentado no congresso é um resumo de pesquisa, isto é, ainda não passou por revisão por pares. Ou seja, as conclusões são consideradas preliminares até a publicação de um artigo completo em uma revista científica. Apenas 1 em cada 5 tinha pressão controlada Segundo o estudo, apenas cerca de um em cada cinco adultos com hipertensão nos 20 países analisados tinha a pressão arterial controlada, considerada pelos pesquisadores como abaixo de 140/90 mm Hg. Pilla comenta que alguns fatores podem contribuir para esse baixo controle, algo também já detectado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Entre as principais lacunas estão a detecção limitada da hipertensão, o acesso insuficiente a cuidados médicos e medicamentos e a infraestrutura dos sistemas de saúde", afirma. A proporção foi ainda menor em relação a outros cuidados preventivos avaliados. Apenas 16% das pessoas com níveis elevados de colesterol usavam estatinas, enquanto 39% das pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 tinham a glicemia abaixo do nível ideal. Os pesquisadores também analisaram exames de rastreamento para câncer. Entre 14% e 26% das pessoas haviam realizado os exames de rastreamento indicados rotineiramente. Maior potencial em países de renda média O estudo avaliou 20 países de renda média alta e média baixa com os maiores números de mortes por doenças não transmissíveis. Nenhum país de baixa renda foi incluído na análise. A melhora do controle da pressão arterial apresentou potencial para evitar 223.282 mortes anuais em países de renda média alta e 223.655 em países de renda média baixa. Segundo os pesquisadores, os países de renda média baixa apresentavam grandes oportunidades de melhoria, principalmente devido às baixas taxas de controle da hipertensão e de tratamento do colesterol alto e ao uso mínimo de exames de rastreamento para câncer. As doenças não transmissíveis são responsáveis por aproximadamente três em cada cinco mortes no mundo. Cerca de 73% dessas mortes ocorrem em países de baixa ou média renda. As doenças cardiovasculares respondem pela maior parcela dessas mortes entre as condições crônicas citadas no estudo. LEIA TAMBÉM: Excesso de peso ultrapassa pressão alta e vira o principal fator de risco à saúde do brasileiro Tenho pressão 12 por 8, vou precisar passar a tomar remédio? Veja perguntas e respostas Como foi feita a análise Os pesquisadores utilizaram modelos estatísticos para estimar quantas vidas poderiam ser salvas a cada ano caso seis serviços preventivos baseados em evidências fossem ampliados: Controle da pressão arterial Tratamento com estatinas quando indicado Controle da glicose em pessoas com diabetes Rastreamento dos cânceres de cólon, mama e colo do útero. Para fazer as estimativas, os pesquisadores compararam os níveis atuais de uso dos serviços com um cenário em que eles chegassem a aproximadamente 80% das pessoas elegíveis, proporção observada em sistemas de saúde dos Estados Unidos, considerados referência.. Os dados sobre a elegibilidade e o uso dos serviços preventivos foram obtidos de bases como a Global Burden of Disease, a NCD Risk Factor Collaboration, a iniciativa STEPwise da Organização Mundial da Saúde (OMS) para vigilância de fatores de risco de doenças não transmissíveis e os bancos de dados da OMS sobre rastreamento de câncer. Para a pressão arterial, o estudo considerou como meta abaixo de 140/90 mm Hg, embora a diretriz de 2025 da American Heart Association recomende, para pessoas em tratamento, uma pressão abaixo de 130/80 mm Hg. Limitações do estudo Os pesquisadores destacam que alguns dos países analisados tinham dados limitados sobre o uso de serviços de saúde preventiva. Além disso, o estudo não apresenta estratégias específicas para aumentar o acesso ou o uso desses serviços. Por isso, os autores sugerem que pesquisas futuras avaliem quais medidas poderiam ajudar a reduzir essas lacunas. Scott Pilla afirma que o estudo tem como principal objetivo apoiar no desenvolvimento de políticas de saúde preventivas que possam evitar doenças não transmissíveis. "Nosso grupo está trabalhando para aumentar o atendimento à hipertensão em áreas rurais, melhorar a permanência dos pacientes no tratamento e utilizar estratégias alternativas de tratamento em nível populacional, como sais com baixo teor de sódio", comenta.