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Da advocacia à cozinha: como rupturas moldaram a carreira de Maísa Campos na gastronomia

Baixada em Pauta: Maisa Campos, empresária e chefe de cozinha, é o convidado da semana A história de rupturas marca a trajetória de Maísa Campos, empresár...

Da advocacia à cozinha: como rupturas moldaram a carreira de Maísa Campos na gastronomia
Da advocacia à cozinha: como rupturas moldaram a carreira de Maísa Campos na gastronomia (Foto: Reprodução)

Baixada em Pauta: Maisa Campos, empresária e chefe de cozinha, é o convidado da semana A história de rupturas marca a trajetória de Maísa Campos, empresária e chefe de cozinha. Em 2016, ela criou a Casa 147, em Santos, um negócio de comida fresca e congelada, feita com técnica de chef e processos rígidos, que o cliente finaliza em casa. Hoje, ela planeja expandir a empresa. De família tradicional e repleta de advogados, seguiu os mesmos passos até 2013, quando participou e venceu um programa de TV. Naquele momento, prometeu para si mesma que mudaria de carreira, decisão que abalou a relação com a mãe. Abriu uma escola de gastronomia, fez cursos com chefs em São Paulo, estudou na Le Cordon Bleu, em Paris, e ao voltar inaugurou a Casa 147. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. “Eu sou sim uma chefe de cozinha, eu não sou uma advogada cozinheira. Porque eu carreguei muito essa pecha e aquilo para mim foi necessário”, disse. Ela se abriu durante o podcast Baixada em Pauta, apresentado pelo jornalista Matheus Müller. Além da história de vida, o programa abordou temas como empreendedorismo, rupturas pessoais e consciência social, que acabam servindo de inspiração para quem busca novos caminhos. Família Maísa cresceu em uma família diversa culturalmente. A mãe é goiana, o pai carioca e o padrasto cearense. As viagens pelo Brasil marcaram sua infância e ampliaram o repertório gastronômico. Ela lembra das férias no Cerrado, das temporadas no Ceará e das experiências regionais que moldaram seu olhar sobre ingredientes e sabores. “Eu conhecia o Sertão, eu ia ver boto cor-de-rosa no Aruanã. Eu tive uma infância com muita experiência regional brasileira e isso fez muita diferença na minha relação com a comida”, contou. Direito Maísa Campos, empresária e chef de cozinha da Casa 147 Divulgação A mãe, funcionária pública, sempre foi rígida e ofereceu poucas opções de cursos: Direito, Administração, Medicina, Engenharia ou Arquitetura. Maísa escolheu o direito, área em que a família tinha tradição. Ela estudou para concursos e trabalhou em grandes empresas, experiência que hoje considera fundamental para estruturar seu negócio. “O direito com certeza me deu substrato para chegar até aqui”, afirmou. Experiência na cozinha Apesar da formação jurídica, a cozinha já fazia parte de sua vida desde a adolescência. A mãe cuidava da educação alimentar, mas não gostava de cozinhar. Maísa aprendeu sozinha, de forma empírica, preparando pratos simples como arrozes, legumes e farofas. Aos 12 anos, já cozinhava regularmente. Com 14, passou a comandar as ceias de Natal na casa da avó, assumindo responsabilidades que mostravam seu talento precoce. 'Melhor cozinheira do Brasil' Maísa Campos, empresária e chef de cozinha da Casa 147 Divulgação Em 2013, participou do programa Cozinheiros em Ação, no GNT. Foram semanas de provas eliminatórias, pressão psicológica e convivência intensa com outros competidores. Ela venceu o reality e recebeu R$ 10 mil, panelas de ferro e flores como prêmio. Mais importante, ganhou o título de “melhor cozinheira do Brasil”. “Eu pensei: isso aqui não é normal acontecer. Se eu ganhar, eu vou mudar de carreira”, disse sobre o acordo que fez consigo mesma. Venceu e contou para a mãe Maísa Campos, empresária e chef de cozinha da Casa 147 Julia Mataruna Ao revelar para a mãe que seguiria a gastronomia, enfrentou resistência. A mãe queria que retomasse os estudos jurídicos. A decisão gerou ruptura na relação, mas Maísa sustentou o desejo de seguir na cozinha. Meses depois, abriu sua primeira escola de gastronomia, voltada para amadores, onde começou a ensinar técnicas e receitas. Conselho de István Wessel O marido, Diogo, arranjou um encontro com István Wessel, empresário da área de carnes e fundador da marca Wessel. Durante um almoço, Wessel aconselhou Maísa a não abrir um restaurante imediatamente após vencer o programa. Ele citou exemplos como o da chef Paola Carosella, que esperou anos antes de inaugurar o Arturito. “Ele foi maravilhoso, ele me aterrou. Foi a melhor dica que eu pude receber”, disse Maísa. Viagem para a França Em seguida, estudou na Le Cordon Bleu, em Paris. O curso deu a ela o diploma que buscava e reforçou sua autoestima como profissional. “Foi muito bom para minha autoestima, eu sentia necessidade de ter um diploma. Eu sou uma chefe de cozinha formada, não uma advogada que cozinha”, afirmou. Maísa Campos: à esquerda na época em que teve a escola e à direita quando estudou na Le Cordon Bleu Arquivo pessoal Na Europa, também conheceu modelos de negócios de comida pronta para consumo em casa, que inspiraram a criação da Casa 147. Cobrança pelo restaurante De volta ao Brasil, ouviu de muitas pessoas que queriam comer sua comida, não apenas aprender com ela. Durante o período em que estudava na França, descobriu que estava grávida. Mais tarde vieram os filhos Antônio e Eva, que reforçaram a decisão de não abrir um restaurante, já que a operação exigiria noites fora de casa. Assim nasceu a Casa 147, voltada para comida fresca e congelada, pronta para ser finalizada pelo cliente. Modelo de negócio e preconceito A Casa 147 funciona como loja, não como dark kitchen, que é voltado exclusivamente para delivery, sem salão ou loja física. O diferencial da Casa 147 está em unir a praticidade da comida pronta com a qualidade de restaurante. O cliente recebe instruções de aquecimento e finalização, garantindo sabor e técnica sem perder a experiência de comer algo autoral. No início, enfrentou preconceito por oferecer comida com instruções de preparo, mas sustentou o modelo. “O preconceito não era meu. Eu tinha coragem de fazer aquilo”, disse. Pandemia Entre 2016 e 2020, o negócio enfrentou dificuldades de aceitação. A virada veio com a pandemia. Com a operação estruturada para delivery próprio, a demanda explodiu. Ela chegou a pausar as vendas para se reorganizar. Nesse período, criou o projeto social Casa Solidária, distribuindo marmitas para pessoas em situação de vulnerabilidade, iniciativa que ganhou repercussão nacional. Além disso, passou a gravar vídeos de receitas no Instagram, ampliando sua visibilidade e criando uma comunidade em torno da marca. Plano de expansão Hoje, Maísa pensa em levar a Casa 147 para outras cidades, mas sem abrir mão da essência. O crescimento será baseado em processos padronizados e respeito à ética do negócio. Entre as possibilidades estão franquias e parcerias estratégicas, mas sempre com foco em manter qualidade e identidade. “Até onde eu cresço sem violar as pilastras que estruturam a empresa?”, questiona. Matheus Müller recebe Maísa Campos, chef de cozinha e empresária, no podcast Baixada em Pauta Helena Passarelli