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De campos de futebol a jardins: região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil, aponta pesquisa

Região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil Uma pesquisa feita pela Associação Nacional Grama Legal, que representa o mer...

De campos de futebol a jardins: região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil, aponta pesquisa
De campos de futebol a jardins: região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil, aponta pesquisa (Foto: Reprodução)

Região de Itapetininga é responsável por 18% da produção de grama do Brasil Uma pesquisa feita pela Associação Nacional Grama Legal, que representa o mercado de grama regularizada no Brasil, apontou que a região de Itapetininga (SP) é responsável por cerca de 18% de toda a produção da planta em todo o país. Dos 27 mil hectares cultivados em território nacional, distribuídos em 316 unidades produtivas, cerca de 4,8 mil são produzidos entre Itapetininga e as cidades próximas, totalizando 17,7%. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Lívia Carribeiro é a coordenadora executiva da associação e, ao g1, explica que, apesar da cidade possuir uma produção expressiva, a região não pode ser considerada como uma região exportadora do produto. Entre as justificativas, está a falta de regularização dos produtores informais. "Enquanto associação, observamos que a região se consolidou como um importante polo produtivo, embora ainda exista um número significativo de produtores informais ou apenas parcialmente regularizados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)", detalha. Grama esmeralda é utilizada em campos de futebol Via Verde Gramas/Reprodução A profissional explica que, para o levantamento, é necessário estar inscrito no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), considerado a etapa inicial do processo de regularização da atividade. "Além disso, é preciso ter a produção efetivamente regularizada. Para tanto, é necessário registrar os materiais de propagação e os viveiros de produção, cumprir as exigências técnicas e administrativas estabelecidas pelo órgão fiscalizados e recolher as taxas previstas na legislação", pontua. Ao todo, a associação identificou 57 unidades produtores de grama na região, distribuidas em Itapetininga, Angatuba, Tatuí e Quadra (SP). A variedade mais cultivada é a esmeralda, utilizada em ocasiões de largas escala, correspondendo a 83% da produção total. Veja a lista por cidades: Grama Esmeralda: aproximadamente 83%; Grama São Carlos: aproximadamente 12%; Variedades de Bermudas: aproximadamente 2%; Paspalum: aproximadamente 1,8%; Outras variedades: participação residual. João é supervisor agrícola na produtora Via Verde Gramas/Reprodução João Marcos Rochel é supervisor agrícola de uma das unidades produtoras de grama em Itapetininga. Segundo o funcionário, a cidade é considerada "a capital da grama no país" e isso se deve a motivos muito específicos. Entre eles, a localização geográfica. "São três pontos. A cidade é a capital da grama devido às condições climáticas que ela possui, que são muito favoráveis para o desenvolvimento da grama. A qualidade do solo também é bem propícia para o desenvolvimento dela. Quando falamos do sudoeste paulista, estamos sendo cortados por grandes rodovias, como a Raposo Tavares e a Castello Branco, então, a logística colabora bastante", opina. A empresa, que tem 300 hectares na cidade, cultiva a grama esmeralda, que, segundo João, precisa de muito cuidado no manejo pós-cultivo. Ela é a mais utilizada no meio esportivo, principalmente nos campos de futebol em todo o país. "A grama acaba morrendo muito rápido depois de colhida. Então, o ideal é colher e plantar no máximo no dia seguinte, para não perder a qualidade. Durante o transporte, elas ficam armazenadas em pallets, porém, se ela ficar muito exposta ao tempo, ela pode fermentar e estragar", explica. Em muitos casos, João Marcos acaba vendendo a grama para locais do país considerados distantes de Itapetininga, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Neste caso, há todo um preparo específico e orientado às pessoas que farão o transporte da planta ao destino final. "A qualidade da grama precisa ser preservada e ela precisa chegar ao cliente da melhor forma possível. Isso serve para todos os tipos de grama. Para ela sair para o cliente como uma grama 'verdinha', os cuidados vêm desde o plantio, com a qualidade da muda e o manejo de adubações", comenta. Grama São Carlos e Esmeralda são as mais cultivadas pela região de Itapetininga Via Verde Gramas/Reprodução Segundo João Marcos, a grama esmeralda possui a característica de ser resistente. Ela é ainda mais procurada nos períodos de baixas temperaturas, devido à capacidade de resistir à geadas. "Ela resiste mais ao pisoteio e é justamente por isso que é implantada em campos de futebol. Já a São Carlos, apesar de ser esteticamente bonita, é mais sensível. Esse tipo se desenvolve bem na sombra, podendo ser plantada em casa, em bosques, porque ela aceita a baixa umidade", esclarece. "Quando falamos de campos de futebol, falamos de pisoteio extremo. O Brasil recebe um jogo no domingo, outro na quarta-feira, outro no sábado. Então, a grama tem sempre que estar bem nutrida e cuidada para ela se recuperar entre um jogo e outro. A esmeralda tem um rápido desenvolvimento para voltar às características iniciais para a próxima partida", completa. 'Nossa região é forte' Emerson Terra Júnior também atua como produtor de grama na cidade, em uma empresa que existe há 35 anos. Apesar da sensibilidade, o estabelecimento consegue entregar grama em destinos de até 2 mil quilômetros de distância. De acordo com o produtor, a característica mostra a força da região de Itapetininga no cultivo de grama. Ele afirma que há desafios durante o processo, como a área disponível e a fertilização do solo. "Nós encaminhamos grama para diversos lugares, por meio do aeroporto de Porto Alegre (RS), Foz do Iguaçu (PR) e outros. Isso mostra o quanto a nossa região é forte. As pessoas pensam que plantar grama é fácil, mas não é. Ela precisa de muitos metros quadrados para cultivo e existe um cuidado específico para o solo, então, há a dificuldade de manter o solo nutritivo durante todo o período de plantio", opina. LEIA TAMBÉM: Mais doce que cana-de-açúcar: conheça a uva pilar moscato, variedade gourmet do interior de SP que já custou R$ 200 o quilo Festa de Santo Antônio, Kaikan, São João e mais: confira as celebrações juninas na região de Itapetininga 3ª Feira do Produtor Rural de Paranapanema terá entrada solidária; veja como participar A safra da grama, segundo Emerson, acontece nos meses finais do ano. Apesar da cidade ter um índice pluviométrico considerável ao longo dos 12 meses, ele afirma que há a necessidade de investimento de pivôs de irrigação por parte da empresa. "Durante junho a agosto, há a época de seca, da estiagem. Precisamos conseguir manter a umidade no solo, que é o que vai trazer um gramado de qualidade. Nós plantamos e irrigamos para o cliente até a entrega. O final do ano é a época que mais vende, já que as pessoas querem a obra pronta nessa época, seja uma chácara, uma casa, ou até mesmo uma rodovia", comenta. Além da estética Grama precisa de um cuidado específico no manejo, devido à sensibilidade Via Verde Gramas/Reprodução Ao g1, o arquiteto e urbanista Renan de Castro pontua que a presença da grama em imóveis vai além da beleza externa. Ela é, na verdade, uma necessidade de para a grande maioria dos tipos de construção civil. "A presença do verde, hoje em dia, vai muito além da estética. A grama é um respiro para as construções e, também, uma forma de humanizar a nossa casa. Uma área gramada consegue promover o conforto das casas e promover um ambiente acolhedor para quem vive ali", explica. Outro ponto que a grama pode beneficiar as construções, segundo o profissional, é no processo de drenagem. Renan explica que, se colocada estrategicamente, ela pode impedir infiltrações e empoçamentos nas áreas habitadas. "É muito importante ter áreas gramadas em qualquer construção, principalmente pela função drenante. Quando ela é bem feita, impede empoçamentos e infiltrações. Uma obra que ignora a importância da grama ignora a natureza e sua funcionabilidade. Um simples canteiro evita problemas sérios", reforça. "Num contexto urbano, o verde nos ajuda a equilibrar o projeto, suavizando a frieza do concreto, transformando o que é apenas uma construção, em refúgio e lar", finaliza. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM