cover
Tocando Agora:

Defensoria encontra alunos estudando sem ar-condicionado e escola fechada há quase 30 dias em Manaus

Estudantes da Escola Estadual Hermenegildo de Campos estão afastados das atividades escolares há quase 30 dias por problemas na rede elétrica, aponta Defenso...

Defensoria encontra alunos estudando sem ar-condicionado e escola fechada há quase 30 dias em Manaus
Defensoria encontra alunos estudando sem ar-condicionado e escola fechada há quase 30 dias em Manaus (Foto: Reprodução)

Estudantes da Escola Estadual Hermenegildo de Campos estão afastados das atividades escolares há quase 30 dias por problemas na rede elétrica, aponta Defensoria Pública do Amazonas Luiz Felipe Santos/DPE-AM A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) encontrou problemas de infraestrutura, climatização e na rede elétrica em duas escolas estaduais de Manaus durante uma fiscalização realizada na sexta-feira (25). Em uma das unidades, alunos estudam em salas com aparelhos de ar-condicionado quebrados. Na outra, os estudantes estão sem aulas há quase 30 dias por causa de problemas na rede elétrica e de uma reforma. A fiscalização foi realizada pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec) nas escolas estaduais Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, na Zona Centro-Oeste, e Hermenegildo de Campos, na Zona Sul. As duas unidades estavam entre as escolas com maior número de denúncias feitas por pais e professores. Na Escola Estadual Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, que tem 480 alunos matriculados, professores relataram dificuldades após a unidade passar para o modelo de tempo integral. Entre os problemas estão a falta de espaço para descanso dos estudantes, a situação da quadra, que não tem cobertura, e a necessidade de reformas nos banheiros e vestiários. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a Defensoria, a pintura da quadra foi custeada pelos próprios professores. Agora no g1 A fiscalização também identificou que a escola tem mais de 15 alunos neurodivergentes e apenas duas professoras auxiliares para acompanhá-los em sala de aula. Além disso, aparelhos de ar-condicionado estão quebrados em salas da unidade. A situação dificulta a permanência de alunos e professores no local, principalmente durante o período de altas temperaturas em Manaus. "O que mais escutamos é a dificuldade dos alunos de estudar no calor e que muitos problemas estruturais, como pintura de quadra e reparos urgentes, estão sendo sanados pelos próprios funcionários", destacou o defensor público e integrante do Gidec, Arlindo Gonçalves. Mãe diz que filha pede para não ir à escola por causa do calor Jaiane Mourão, de 35 anos, é mãe de uma estudante do 7º ano da Escola Estadual Maria de Lourdes Rodrigues Arruda. Ela contou que a filha tem pedido com frequência para não ir às aulas por causa do calor. Segundo Jaiane, a situação piorou com as altas temperaturas registradas em Manaus nos últimos dias. Na terça-feira (22), a capital amazonense registrou 38,6°C, a maior temperatura do ano. "Como pais, nós percebemos que há uma vontade da direção da escola e dos professores em resolver os problemas, mas isso não depende deles. Eu mesma já protocolei três reclamações na Secretaria de Educação e Desporto, relatando os problemas daqui, e nunca tive resposta. A educação e o futuro dos nossos filhos estão em jogo, e é por isso que precisamos questionar. Essa fiscalização ajuda bastante, porque dependemos disso agora", ressaltou. Escola está em reforma e alunos estão sem aulas Na Zona Sul de Manaus, a Escola Estadual Hermenegildo de Campos também enfrenta problemas na rede elétrica. A situação começou no início de setembro e comprometeu o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado. Por causa dos problemas, a unidade entrou em reforma e os alunos estão afastados das atividades escolares há quase 30 dias. A previsão informada aos pais é que os estudantes sejam transferidos temporariamente para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, também na Zona Sul. "No mês de agosto, devido à condição climática da capital, a rede de energia elétrica não suportou o uso dos aparelhos de ar-condicionado. Conversamos com a direção da escola e entendemos que as aulas foram paralisadas, com previsão de mudança temporária para outro local", concluiu o defensor público Arlindo Gonçalves. O g1 procurou o Governo do Amazonas e a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para comentar os problemas identificados nas escolas e as medidas previstas para solucioná-lo, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Primeira fiscalização ocorreu na Zona Leste A fiscalização de sexta foi a segunda realizada pelo Gidec. Na última segunda-feira (21), o grupo esteve na Escola Estadual Vasco Vasques, na Zona Leste de Manaus. Na unidade, a Defensoria encontrou problemas como a falta de refrigeração adequada no espaço usado para armazenar a merenda escolar. Também foram encontrados livros didáticos armazenados sem uso ou distribuição, além de exemplares espalhados por diferentes áreas da escola. Atuação do Gidec O Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania foi criado em agosto de 2026. A iniciativa surgiu após o último levantamento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que apontou o Amazonas com o menor desempenho do ensino médio do país, com 3,8 pontos. O índice considera o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática e as taxas de aprovação escolar. Desde a criação do grupo, a Defensoria afirma que acompanha a aplicação dos recursos mínimos obrigatórios em educação e a forma como o dinheiro é destinado e utilizado. Entre as áreas acompanhadas estão o piso salarial dos professores, a falta de profissionais, a merenda escolar e a retomada de obras de creches e escolas que estão paralisadas.