'Deus vai me curar': pai relembra fé de empresário do AC que morreu durante tratamento de doença rara
Rafael Brito de Sá chegou a iniciar o tratamento contra aplasia medular em São Paulo O empresário acreano Rafael Brito de Sá, que morreu aos 32 anos em São...
Rafael Brito de Sá chegou a iniciar o tratamento contra aplasia medular em São Paulo O empresário acreano Rafael Brito de Sá, que morreu aos 32 anos em São Paulo, onde fazia tratamento contra aplasia medular gravíssima, contraiu três bactérias no sangue durante a internação, passou por uma cirurgia na cabeça após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e ainda conseguiu tomar quatro das cinco doses do tratamento contra a doença rara. Desde maio, quando descobriu a doença, Rafael iniciou uma corrida contra o tempo para conseguir um doador de medula óssea, iniciar o tratamento e se recuperar para voltar para o Acre e para a família. Ele pastor, casado com advogada Caroline Dantas e pai de um menino de 1 ano e 2 meses. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp "Foi feito tudo que podia pelo meu filho. Tinha gente que mora fora do Brasil orando por ele, recebíamos mensagens de pastores de vários lugares orando, muita gente visitando e acreditando, assim como nós, que ele ia sair dessa. Sempre acreditamos que ele ia voltar", relembrou o empresário e pai de Rafael, Sérgio Sá. Ao g1, Sérgio contou que o filho nunca perdeu a esperança, não se deixou abater com o diagnóstico e se manteve tranquilo durante o tratamento. Religioso, Sérgio, que também é empresário, acredita que o filho cumpriu a missão na terra. "Nunca reclamou, sempre que conversávamos com ele era assim: 'Deus vai me curar'. O tempo que ficou em São Paulo, antes da UTI, conversava com todo mundo, enfermeiros de outras alas visitavam ele. Todos torciam por ele, era uma pessoa querida por todos. Eu sabia que ele era querido, mas não dessa forma", acrescentou. Corpo foi sepultado no último domingo (16) em Rio Branco Reprodução/Redes sociais Diagnóstico Cerca de dois meses antes do diagnóstico, Rafael fez um check-up de rotinas e os exames não deram nenhuma alteração. Em maio, segundo o pai, surgiram umas manchas vermelhas nas pernas e ele passou a senti-se muito fraco. Um hemograma completo revelou que as plaquetas de Rafael estavam baixas, marcando 19 mil. Assustado, o empresário refez o exame e o novo resultado trouxe trouxe mais preocupações. LEIA TAMBÉM: Morre aos 70 anos Gilberto Siqueira, engenheiro e ex-secretário de Planejamento do Acre Morre Amauri Siviero, pesquisador da Embrapa, após tratamento contra câncer no Acre Fundador de comércio tradicional do Acre, Ney Matos morre aos 74 anos "Tinham caído mais. Ele começou a investigar e acompanhamos ele em uma consulta na Fundação com um hematologista, que constatou que a medula dele tinha parado e ele estava com aplasia medular, uma doença rara que dá mais em crianças", recordou o empresário. A partir de então, a família começou a correr contra o tempo, a fazer exames para tentar uma compatibilidade e a orar. Os pais e a irmã mais velha dele, que mora em Cruzeiro do Sul, não puderam doar a medula óssea e o empresário foi orientado pelo médico a viajar para tentar um tratamento fora do estado. "Quando isso ocorre [a não compatibilidade] inicia o trabalho com remédio via oral. O médico informou que seria melhor viajar com ele, entramos em contato com o hospital de São Paulo, mandamos a documentação e começamos a preparar tudo. Durante todo o mês de junho ele tomou sangue e recebeu plaquetas uma vez por semana", disse. Rafael viajou para São Paulo ao lado dos pais e da esposa em julho Arquivo pessoal Viagem para São Paulo Rafael viajou para São Paulo no dia 11 de julho ao lado dos pais, Sérgio e Rita Brito, e da esposa Caroline. No dia 12, o empresário completou 32 anos e a data foi celebrada de forma intimista ao lado da família. No dia seguinte, ele internou-se no Hospital Beneficência Portuguesa, especializado no tratamento. Enquanto isso no Acre, amigos, familiares e conhecidos se reuniam em oração e súplicas pela recuperação de Raf "Na primeira semana ele fez exames de rotina e começou a tomar a medicação para medula, só que já estava fraco essa medicação era para zerar a imunidade. Era como deletar um computar e começar tudo de novo. Dando um exemplo prático. Era uma medicação muito forte, o médico falou que ele podia passar mal", contou o empresário. Empresário chegou a celebrar aniversário de 32 anos em SP antes de começar o tratamento Arquivo pessoal Ainda segundo Sérgio, o tratamento prevê que o paciente tome cinco doses injetáveis, contudo, Rafael tomou apenas quatro porque contraiu uma bactéria no sangue e teve que interromper o tratamento para inicia outra medicação contra a bactéria. "Como a imunidade dele estava baixa, a bactéria passou por sangue. Os médicos descobriram o que era e conseguiram combater, mas ele pegou uma segunda e depois uma terceira. Era muita medicação. Como as plaquetas estavam baixas, sofreu um AVC e precisou fazer uma cirurgia às pressas. A partir dali, já ficou entubado e na UTI", afirmou. Sérgio conta que, antes do filho morrer, preciso retornar para o Acre com a esposa para cuidar de algumas questões do trabalho. O retorno para São Paulo foi marcado para 14 deste mês. Ele soube que o filho não tinha resistido ao desembarcar do avião na capital paulista. "Fiquei mais de um mês lá. Ele deu sinais de melhoras e no dia 8 [de agosto] voltei para tratar de assuntos da empresa. No voo fiquei sem sinal, quando chegamos em São Paulo, já no final da tarde, meu irmão, que estava lá, me ligou avisando que o Rafael tinha falecido", lamentou. Empresário acreano de 32 anos morreu durante tratamento de doença rara em São Paulo Reprodução/Instagram Homenagens O corpo Rafael chegou ao Acre na madrugada de domingo (16). No velório, centenas de amigos e conhecidos se despediram do empresário. No enterro, balões brancos foram lançados ao céu como último gesto de carinho. "Muita gente ficou comovida, tanto nova quando idosos. Muitas pessoas acompanharam a carreata até o cemitério, gente chorando muito pela morte dele. Foi algo sobrenatural, impressionante", pontuou. Rita Brito, mãe de Rafael, falou que a partir de agora o foco é cuidar da nora e do neto. "Cuidar do que ele deixou para a gente. Vamos contar para o Bernardo como ele era maravilhoso, vai crescer, ter acesso à internet e ver tudo. Vai saber quem era o pai pelas fotos e vídeos. É um momento de muita tristeza, mas precisamos seguir", concluiu. Rafael Sá era casado e tinha um filho de 1 ano Arquivo pessoal Doença rara A aplasia medular é uma doença em que a medula óssea deixa de produzir adequadamente células do sangue. O problema pode provocar anemia grave, infecções recorrentes e sangramentos. A medula óssea é responsável pela produção dos glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio; dos glóbulos brancos, que atuam na defesa do organismo; e das plaquetas, que participam da coagulação do sangue. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, a incidência estimada da doença no Brasil é de 1,6 caso novo por milhão de habitantes por ano, embora a frequência possa variar entre diferentes regiões do mundo. Reveja os telejornais do Acre