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Dia da Fotografia: entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia

Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Rios cheios que viram filetes de água, barcos substituídos por carros...

Dia da Fotografia: entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia
Dia da Fotografia: entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia (Foto: Reprodução)

Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Rios cheios que viram filetes de água, barcos substituídos por carros e comunidades isoladas pela seca. No Dia da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira (19), os fotógrafos Raphael Alves e Michael Dantas contam como registraram pelas lentes as transformações dos ciclos das águas na Amazônia. Com mais de duas décadas de experiência, os dois acompanharam grandes cheias e estiagens e perceberam mudanças que vão além do nível dos rios: estão na paisagem, na rotina das comunidades e na forma de acessar regiões mais remotas. Raphael Alves começou a fotografar ainda adolescente e se aproximou do fotojornalismo durante o curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Desde 2008, mantém os ciclos das águas entre os principais temas de sua produção. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Eu gosto de fazer meus trabalhos assim, não na emergência, não quando é assunto, mas nos silêncios, nos intervalos. Eu continuo fotografando esses temas, as águas. Aí, para mim, as águas são sempre o tema”, contou. Agora no g1 A cheia de 2009 foi uma das primeiras grandes experiências. Depois, vieram as cheias de 2012 e 2021, que também ficaram marcadas na trajetória profissional. “A de 2009 foi muito intensa no jornal, mas, assim, marcante, acho que 2021 e 2012 foram mais fortes. Eu fiz mais por conta própria. Eu podia criar com mais liberdade e tal, então acho que essas aí são bem marcantes", lembrou. Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Para Raphael, porém, o olhar não muda entre cheia e seca. O que muda é o cenário e a maneira como cada situação atravessa o fotógrafo. “Tudo que eu faço, as pautas que eu faço para jornal, para a revista, para a agência, meus trabalhos pessoais, eles têm uma coisa em comum: eu estou representando com o que está fora de mim, mas o meu olhar é sempre para dentro, introspectivo, como isso me afeta, como isso me atravessa", disse. Em 2023, durante uma viagem pela Ilha de Tumbira, no Amazonas, uma paisagem de rio muito seco provocou uma sensação que ficou na memória. “Tinha hora que parecia que o rio estava correndo ao contrário, sabe? Essas mudanças são muito sensíveis", afirmou. ‘Os rios são nossas estradas’ A fotografia também entrou cedo na vida de Michael Dantas. Filho de um jornalista, cinegrafista e diretor de televisão, começou a fotografar entre 2003 e 2004, depois de ganhar a primeira câmera. Desde então, passou a registrar trilhas, rios, praias, cachoeiras e os ciclos das águas. A estiagem de 2010 e a cheia de 2012 estão entre as lembranças mais fortes. Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas “Fico impressionado quando um enorme rio ou um grande lago se transforma em um filete de água. Fico pensando: e se essa água não voltar mais? Mas a natureza é incrível e perfeita, com a graça de Deus, tudo volta ao normal”, disse. Para ele, a seca muda completamente a paisagem e também torna mais difícil chegar às comunidades. Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas “Como todos sabem, na Amazônia os rios são nossas estradas, e com os rios sem água fica quase impossível a navegação. Durante a seca as lanchas maiores não conseguem chegar, o jeito é fretar duas ou três rabetas, dividir o peso e encarar do jeito que dá e a gente sempre consegue, mas é sempre muito difícil”, relatou, Nas estiagens de 2023 e 2024, Michael registrou a formação de um grande banco de areia em frente à comunidade Gutierrez, no Careiro da Várzea. Também viu carros e motos ocuparem caminhos onde normalmente circulam barcos. “Durante a seca vejo carros e motos ao invés de barcos e canoas. É estranho ver isso, mas já é uma realidade", afirmou Dantas. Em outras coberturas, registrou peixes e jacarés mortos, moradores em busca de água potável e ribeirinhos caminhando sobre a areia quente carregando garrafões. Fotografia como testemunha Para Michael, o contato com quem vive na floresta é uma das partes mais importantes do trabalho. “Eu tenho muito respeito e admiração pelos povos que vivem na floresta. Por pior que seja a situação, eles sempre nos tratam muito bem, nos oferecem o que eles têm e tentam nos ajudar da melhor forma para facilitar o nosso trabalho, e isso me emociona muito. Estamos sempre correndo contra o tempo durante essas coberturas, somos especialistas em breves encontros", afirmou. Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas Raphael também coloca as pessoas no centro de seus registros e afirma que fotografar exige respeito e proximidade. “Eu mais que a paisagem, eu fotografo primeiro, eu acho que as pessoas. Isso me interessa muito mais que a paisagem. Ter o cuidado de contar, é de conferir dignidade aquilo que a gente está me contando, porque todas essas pessoas merecem ser escutadas, vistas", explicou. Fotógrafo Raphael Alves, na Amazônia. Raphael Alves Depois de mais de 20 anos documentando a Amazônia, Michael diz que a fotografia passou a ter para ele um papel diferente. “Deixei de registrar apenas a beleza dos ciclos naturais para me tornar testemunha visual da emergência climática. Fotografar o oposto disso, com rios transformados em desertos de areia quente, milhares de peixes mortos por falta de oxigênio e comunidades isoladas, me mostrou que a fotografia hoje é uma ferramenta urgente de denúncia", afirmou. Para ele, as imagens também podem ajudar a mostrar no futuro como a região mudou. “As mudanças climáticas estão acontecendo e ninguém sabe como vai está o cenário daqui 30 ou 50 anos, por isso é importante essa documentação”, finalizou. Entre cheias, secas, rios que mudam de caminho e comunidades que precisam se adaptar, os dois fotógrafos seguem registrando uma Amazônia em transformação, uma imagem de cada vez. Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Michael Dantas Entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Raphael Alves Dia da Fotografia: entre rios e comunidades, fotógrafos registram as mudanças da Amazônia. Divulgação