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Do PIX ao crime organizado: veja 5 pontos que estão em jogo na reunião entre Lula e Trump

Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-fei...

Do PIX ao crime organizado: veja 5 pontos que estão em jogo na reunião entre Lula e Trump
Do PIX ao crime organizado: veja 5 pontos que estão em jogo na reunião entre Lula e Trump (Foto: Reprodução)

Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7), em Washington. Os dois devem discutir temas econômicos e de segurança, segundo fontes dos governos brasileiro e norte-americano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: Esta será a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU. Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi "amistosa". Nesta quinta-feira, Lula será recebido por Trump na Casa Branca por volta das 11h (12h, em Brasília). Em seguida, os dois farão declarações à imprensa por cerca de 30 minutos no Salão Oval, segundo agenda divulgada pelo governo norte-americano. Depois, os presidentes participarão de um almoço, no qual devem discutir temas de interesse dos dois países. Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro será uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional. A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais. Pelo menos cinco temas devem centralizar as conversas: Combate ao crime organizado PIX Geopolítica e conflitos globais Terras raras Eleições Veja a seguir detalhes de cada um dos assuntos. 1. Combate ao crime organizado Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia. Ricardo Stuckert/Presidência da República O governo dos Estados Unidos está analisando uma possível medida para classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Fontes ligadas ao governo Trump que atuam no Brasil afirmam que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defende que facções brasileiras também sejam classificadas como terroristas, como já ocorreu com grupos do México e da Venezuela. O tema já foi discutido por autoridades norte-americanas e brasileiras em reuniões anteriores e deve voltar ao foco no encontro entre Trump e Lula nesta quinta-feira. Uma apuração do jornalista Gerson Camarotti, publicada pelo g1, aponta que Lula pretende convencer Trump a não tratar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo auxiliares, o petista quer deixar claro que o Brasil trata o crime organizado como prioridade e aposta na cooperação bilateral como caminho para enfrentar o problema. A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos. Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países. Por que Lula não quer que Trump classifique facções como organizações terroristas? Voltar ao início. 2. PIX O Pix foi mencionado em um relatório em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas Marcello Casal Jr/Agência Brasil Atualmente, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) conduz uma investigação contra o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados. Segundo o governo norte-americano, o sistema brasileiro é visto como uma ameaça a empresas dos EUA, por criar desvantagens para serviços de pagamentos eletrônicos, como cartões de crédito. O Brasil já informou às autoridades americanas, no âmbito das investigações, que o PIX não discrimina empresas dos Estados Unidos e destacou que até gigantes de tecnologia, como o Google, já utilizam a ferramenta. O tema tem sido usado pelo governo como símbolo de defesa da soberania nacional. Em um evento em abril, Lula disse que o "PIX é do Brasil" e criticou a investigação conduzida pelos Estados Unidos. O governo brasileiro deve aproveitar a reunião para tentar convencer Trump a não adotar medidas contra o país por causa do PIX. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, em entrevista à GloboNews, que vê o encontro como uma oportunidade para esclarecer o funcionamento do PIX e buscar um “bom entendimento” entre os dois países. Voltar ao início. 3. Geopolítica e conflitos globais Explosão no subúrbio de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel em 6 de março de 2026 REUTERS/Khalil Ashawi Lula e Trump têm adotado posições divergentes sobre conflitos globais. O Brasil, por exemplo, condenou ataques realizados pelos Estados Unidos à Venezuela e, mais recentemente, ao Irã. Em abril, em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente brasileiro criticou Trump e disse que o norte-americano não pode "ameaçar outros países com guerra o tempo todo". Além disso, Lula repetiu uma declaração feita em 2025, após o tarifaço, ao afirmar que Trump não foi eleito "imperador do mundo". Lula também tem defendido o fortalecimento da ONU, em vez de posturas unilaterais. O presidente foi convidado a integrar o Conselho da Paz criado por Trump, mas ainda não aceitou. Em janeiro, em conversa telefônica com Trump, Lula propôs mudanças no grupo. A situação de Cuba, com os Estados Unidos pressionando e ameaçando o regime de Havana, também pode ser discutida. O Brasil vê com preocupação a situação humanitária da ilha, que piorou após o governo norte-americano adotar medidas para restringir o envio de petróleo ao país. Lula e Trump testam reaproximação, de olho em eleições e em momento impopular Voltar ao início. 4. Terras raras Os elementos de terras raras possuem propriedades eletrônicas, magnéticas e óticas essenciais para diversas tecnologias modernas Gil Leonardi /Agência Brasil A exploração de minerais críticos e terras raras deve entrar na pauta da reunião. O Brasil tem uma das maiores reservas no mundo e vê esses recursos como estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e o avanço da inteligência artificial. O governo brasileiro defende que esses recursos sejam explorados sob controle nacional, com parcerias que garantam transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria. O Brasil já sinalizou que não pretende aderir a uma aliança proposta pelos EUA para o setor e deve priorizar acordos bilaterais com diferentes países. A avaliação é que os norte-americanos buscam influenciar as regras do comércio global desses minerais, hoje concentrados principalmente na China. Também pode entrar na conversa um acordo firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para exploração desses minerais, que gerou reação do governo federal. 🔎 A avaliação é que a iniciativa envolvendo Goiás não tem validade jurídica, já que o subsolo pertence à União, responsável por regular a atividade e firmar acordos internacionais. Além disso, na véspera do encontro na Casa Branca, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com previsão de incentivo para estimular a exploração. O texto ainda será analisado pelo Senado. Voltar ao início. 5. Eleições Detalhe da urna eletrônica Reprodução/TV Globo Segundo o blog da Andreia Sadi, Lula vai tentar transformar o encontro em um ativo político. O presidente busca um compromisso do governo Trump de que não haverá interferência dos EUA nas eleições de outubro. Fontes do governo ouvidas pela jornalista afirmaram haver preocupação de que o Departamento de Estado, visto como mais ideológico e com interlocução com bolsonaristas, adote medidas que possam prejudicar Lula. Um ataque direto de Trump não está no radar, mas o presidente brasileiro quer um compromisso informal de não interferência e de ausência de apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, ainda segundo o blog da Sadi, o encontro permitirá que Lula explore a imagem de liderança internacional. A reunião pode funcionar como demonstração de força em um momento de desgaste interno. A ideia é virar a página da derrota no Senado na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Voltar ao início. 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