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Em meio ao escândalo do Master, Dino marca audiência pública no STF sobre capacidade de fiscalização da CVM

Carazza considera que a decisão de Dino promove uma 'discussão necessária' sobre padrões remuneratórios mínimos no serviço público brasileiro Rosinei Co...

Em meio ao escândalo do Master, Dino marca audiência pública no STF sobre capacidade de fiscalização da CVM
Em meio ao escândalo do Master, Dino marca audiência pública no STF sobre capacidade de fiscalização da CVM (Foto: Reprodução)

Carazza considera que a decisão de Dino promove uma 'discussão necessária' sobre padrões remuneratórios mínimos no serviço público brasileiro Rosinei Coutinho/SCO/STF via BBC Em meio ao escândalo do Master e suspeitas de falhas na fiscalização dos negócios do banco, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu marcar uma audiência pública para discutir a capacidade fiscalizatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Dino destacou em sua decisão que o crime organizado está migrando do tráfico de drogas "para ambientes formais e regulados, como o sistema financeiro e o mercado de capitais", o que justifica a necessidade de aprimorar a fiscalização da CVM, "entidade fundamental na prevenção e no combate a crimes envolvendo fundos de investimento". "Investigações recentes [...] indicam a utilização de estruturas típicas do mercado financeiro, como fundos de investimento, fintechs e empresas de fachada para a prática de lavagem de dinheiro, inclusive de recursos oriundos de corrupção. O caso do Banco Master, aparentemente envolvendo fundos de cota única, corretoras, fundos de precatórios etc, ilustra a crescente dificuldade regulatória e de fiscalização", escreveu Dino. 🔎 A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável por fiscalizar, normatizar e disciplinar o mercado de valores mobiliários — que incluem ações, debêntures, cotas em fundos de investimento, entre outros —, garantindo transparência e segurança para os investidores. A audiência pública será realizada em 4 de maio, no STF, no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada no ano passado pelo partido Novo. A sigla alegou que uma lei de 2022 aumentou a arrecadação para a taxa de polícia da CVM, mas os valores bilionários não estão sendo destinados para o trabalho de fiscalização feito pelo órgão. Segundo o Novo, "nos últimos três anos (2022 a 2024), a Comissão de Valores Mobiliários arrecadou cerca de R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões provenientes de taxas. No entanto, a dotação orçamentária destinada à autarquia, no mesmo período trienal, foi de apenas R$ 670 milhões". Deficiências Em sua decisão, Dino destacou as declarações que João Accioly deu em fevereiro, como presidente interino da CVM, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, quando foi questionado sobre uma possível omissão da autarquia em relação ao Master. "A CVM sabia [dos problemas] desde 2022, desde antes até, e não que é não fez nada. Ela fez vários processos, está fazendo. Alguns poderiam ser mais rápidos. Realmente, o pessoal trabalha além da capacidade máxima. E aí você vê que tem acúmulo de processos por pessoa e aquilo poderia ser mais rápido se tivesse mais gente", admitiu Accioly aos senadores. O ministro Flávio Dino, então, concluiu que, "com este quadro fático, ganham relevância as teses da parte autora [o partido Novo] no sentido de que não estaria havendo proporcionalidade entre a arrecadação e o custo da atividade da CVM". A audiência pública, segundo o ministro, servirá para esclarecer se os valores arrecadados a título de taxa de polícia estão efetivamente sendo aplicados em tecnologia e recursos humanos para a CVM. O ministro convidou para a audiência o presidente da CVM, João Accioly; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Ricardo Saadi; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues; e outras autoridades. No início de fevereiro, a própria CVM criou um grupo de trabalho para analisar todas as informações relacionadas ao conglomerado Master e à gestora de fundos Reag, suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela PF, e para propor "melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional". Comissão de Valores Mobiliários (CVM) CVM/Reprodução Redes Sociais