Europa Ocidental teve verão mais quente da história, com calor extremo, seca e incêndios
Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026. REUTERS/Sarah Meyssonnier A Europa Ocidental registrou em ...
Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026. REUTERS/Sarah Meyssonnier A Europa Ocidental registrou em 2026 o verão mais quente de sua história, em uma temporada marcada por ondas de calor persistentes, seca, incêndios florestais e níveis excepcionalmente baixos nos principais rios do continente, mostram dados do observatório europeu Copernicus. Considerando toda a Europa, este foi o terceiro verão mais quente já registrado. As altas temperaturas começaram mais cedo que o normal em algumas áreas, com uma grande onda de calor atingindo o oeste europeu ainda no fim de maio, e permaneceram ao longo dos meses seguintes. Na Europa Ocidental, a temperatura média entre junho e agosto chegou a 21,7°C, 2,5°C acima da média de 1991 a 2020. O resultado superou o recorde anterior, registrado em 2003. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O calor também se espalhou por uma área maior e persistiu por mais tempo. Ao longo de 2026, foram registrados 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental teve temperaturas acima de 30°C. Em 2003, haviam sido 11 dias, e, em 2025, sete. Ondas de calor pressionam inflação na Europa Além das temperaturas do ar, o levantamento mostra que o calor provocou forte impacto sobre o corpo humano. Até o fim do verão, 52% da Europa havia enfrentado pelo menos condições classificadas como "muito fortes" de estresse térmico, associadas a temperaturas percebidas de 38°C ou mais. 🌡️ ENTENDA: O estresse térmico mede como condições de calor, umidade, vento e radiação afetam o corpo humano. Em níveis elevados, aumenta o risco de problemas como desidratação e insolação. Entenda o que é o fenômeno El Niño Na Europa Ocidental, foram registrados em média 41 dias de estresse térmico forte, um recorde para a região e cinco dias a mais que em 2003. Os episódios classificados como muito fortes chegaram a 13 dias, também o maior número já registrado. "A Europa enfrentou um verão de extremos climáticos combinados em 2026", afirmou Samantha Burgess, líder de Estratégia Climática do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), responsável pelo serviço climático do Copernicus. Segundo ela, o calor recorde ocorreu ao mesmo tempo que condições secas generalizadas, níveis excepcionalmente baixos nos rios e mares muito quentes, com consequências para a disponibilidade de água, produção de energia, transportes, ecossistemas e saúde humana. LEIA TAMBÉM: Quem decide o que entra (e o que sai) do texto final da COP? Cientistas usam esperma fluorescente e revelam que as fêmeas controlam o ato sexual entre os mosquitos O mistério dos cães azuis de Chernobyl Oeste da Europa concentrou calor recorde no verão de 2026. Arte/g1 Rios tiveram menor fluxo em mais de 30 anos A seca prolongada também deixou marcas nos rios europeus. De acordo com o Copernicus, o continente teve em 2026 o verão com os menores fluxos de água desde o início da série histórica, em 1992. Níveis recordes ou próximos de recordes de baixa foram observados simultaneamente em grandes rios, como Reno, Danúbio, Pó, Loire, Ródano e Sena, principalmente em julho e agosto. A redução afetou o transporte de cargas e aumentou a pressão sobre sistemas de irrigação, geração hidrelétrica, abastecimento de água e resfriamento de reatores nucleares. As condições secas, combinadas às sucessivas ondas de calor, também favoreceram os incêndios florestais. Até 2 de setembro, a área queimada na União Europeia era quase duas vezes maior que a média registrada entre 2006 e 2025 para o mesmo período, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. Espanha e França estiveram entre os países mais afetados. Dados do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus mostram ainda que as emissões provocadas pelos incêndios na Europa ficaram entre as dez maiores registradas desde 2003, expondo milhões de pessoas a níveis perigosos de poluição do ar. Navios cargueiros navegam pelo rio Reno, com o nível da água baixo e a Catedral de Colônia ao fundo, na Alemanha, nesta segunda-feira (3). Thilo Schmuelgen/Reuters Mares europeus também tiveram calor excepcional Aliado a tudo isso, o calor também atingiu os mares ao redor do continente. Durante o verão, foram registradas temperaturas recordes ou próximas de recordes na superfície do oceano em grande parte da costa atlântica europeia e nas regiões oeste e central do Mar Mediterrâneo. Essas águas excepcionalmente quentes vieram acompanhadas de ondas de calor marinhas fortes a excepcionais, períodos prolongados em que a temperatura do oceano permanece muito acima do normal. 🌊 ENTENDA: Ondas de calor marinhas são períodos persistentes de temperaturas anormalmente elevadas no oceano. Além de afetarem os ecossistemas marinhos, elas podem aumentar o calor nas regiões costeiras. Segundo o Copernicus, mares mais quentes dificultam o resfriamento durante a noite e aumentam a umidade do ar perto da costa, o que pode agravar o estresse térmico enfrentado pela população. Para Burgess, a combinação observada neste verão mostra como diferentes extremos podem ocorrer ao mesmo tempo e ampliar seus impactos. "À medida que o clima continua aquecendo, eventos como esses reforçam a importância de aumentar a resiliência diante de riscos climáticos cada vez mais interligados", afirmou. Qual é o papel da China na crise climática?