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EXCLUSIVO: novos vídeos mostram PMs matando jovem rendido e com as mãos à mostra em Paraisópolis; agentes sussurram após tiros

EXCLUSIVO: novos vídeos mostram PMs matando jovem que estava rendido em SP Novas imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte de ...

EXCLUSIVO: novos vídeos mostram PMs matando jovem rendido e com as mãos à mostra em Paraisópolis; agentes sussurram após tiros
EXCLUSIVO: novos vídeos mostram PMs matando jovem rendido e com as mãos à mostra em Paraisópolis; agentes sussurram após tiros (Foto: Reprodução)

EXCLUSIVO: novos vídeos mostram PMs matando jovem que estava rendido em SP Novas imagens das câmeras corporais dos policiais militares envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, obtidas com exclusividade pela TV Globo e pelo g1, mostram detalhes da ação que terminou com o jovem baleado durante uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. Os vídeos registram desde os instantes que antecederam a entrada dos agentes na residência até as conversas entre os policiais após os disparos. Segundo a Polícia Militar, os agentes não sabiam que as câmeras estavam ligadas (confira abaixo). As gravações mostram Igor rendido, com as duas mãos visíveis, sem apresentar resistência ou fazer movimentos bruscos antes de ser atingido. Em seguida, mesmo estando apenas entre colegas, os policiais passam a sussurrar em ao menos três momentos — em um deles, um dos PMs que atirou no rapaz comenta sobre a câmera corporal. Mais no g1 São Paulo: Órfão de feminicídio, ele viu o pai matar a mãe aos 16 anos e hoje constrói uma vida para além do trauma Motorista de ônibus é retirado de veículo por PM durante abordagem na Zona Norte de SP Após Ideb abaixo da média, Nunes defende terceirização de gestão escolar para melhorar indicadores em SP Receba as últimas notícias da Grande SP no seu WhatsApp Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, autores dos disparos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no último dia 30 (leia mais abaixo). 🔍Os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também respondem pelo caso, mas na condição de colaboradores dos executores. O processo deles foi desmembrado e ainda não há data para julgamento. Os advogados que representam a família de Igor recorreram da sentença, sustentando que a decisão dos jurados contraria as provas produzidas durante a instrução do processo. O que mostram as novas imagens As gravações começam ainda do lado de fora da residência em que ocorreu a abordagem. Pouco antes de entrar no imóvel, um dos policiais militares é abordado por uma vizinha, uma mulher idosa, que pergunta se havia acontecido alguma coisa. — PM: Tudo bem, senhora? A senhora mora em qual apartamento? — Vizinha: Aconteceu alguma coisa? — PM: Não... Fica tranquila. A senhora mora onde? — Vizinha: Eu? Moro aqui... Em nenhum momento o policial orienta a moradora a deixar a área ou procurar um lugar seguro. Logo depois, ele se vira e entra na residência em que os suspeitos estavam. Menos de um minuto depois, é possível ouvir os primeiros disparos. No andar superior da casa, outros policiais já haviam abordado os suspeitos. Os agentes gritam e perguntam se algum deles estava armado, mas todos negam. Logo em seguida, um dos policiais dispara duas vezes contra uma parede. Segundos depois, dois policiais atiram contra Igor Oliveira. As imagens mostram que o jovem estava com as duas mãos à mostra, obedecendo às ordens dadas pelos agentes. Segundo as gravações, ele não reage nem faz movimentos bruscos antes dos disparos. Um outro ângulo registrado pelas câmeras corporais reforça essa dinâmica: é possível ver com mais nitidez que Igor é atingido duas vezes mesmo mantendo as mãos visíveis. O segundo tiro, efetuado por um outro PM, é dado quando Igor já estava neutralizado. Sussurros após os disparos Depois dos tiros, as imagens registram um comportamento que os policiais não tinham tido até então. Mesmo com Igor baleado no chão e outros três homens já rendidos, os agentes passam a conversar em voz baixa entre si. Os cochichos ocorrem em pelo menos três momentos diferentes. Segundo a Polícia Militar, os agentes não sabiam que as câmeras estavam gravando naquele momento. A informação foi confirmada pelo coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da PM, que afirmou que a ação dos policiais foi ilegal. "A ação começou completamente legítima. (...) Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse", disse. Os agentes utilizavam o novo modelo de câmeras corporais, cuja gravação precisa ser acionada manualmente. De acordo com Massera, uma das câmeras foi ativada por um dos policiais — ainda não se sabe qual deles — e, automaticamente, as demais passaram a gravar por meio de conexão via bluetooth. O sistema funciona para todos os equipamentos que estejam em um raio de até 20 metros. Relato dos policiais diverge das imagens Após a ocorrência, um superior hierárquico chega ao local e pede que os policiais expliquem como a ação aconteceu: — Superior hierárquico: Senhores, como é que foi aí? Alguém pode explicar como é que foi desde o começo? — PMs: [...] Atrás da cama, toda hora "ciscando" ali. Abaixa a mão, abaixa a mão, abaixa a mão. Na horas que eles abaixaram ali a gente [atirou]. Até teve um que meio que sacou e... — Superior hierárquico: Daí vocês viram isso na mão dele? — PMs: É. Viu um cabo de madeira ali, né... No entanto, as imagens das câmeras corporais mostram que os suspeitos estavam com as mãos à mostra no momento em que Igor foi baleado. Além de Igor, outros três homens que estavam na residência foram presos. Dois deles não tinham antecedentes criminais. Família recorreu da absolvição Em nota, Gabriela Amoras Silva, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, advogados que atuam como assistentes de acusação e representantes dos familiares de Igor Moraes de Oliveira, afirmaram respeitar a soberania das decisões do Tribunal do Júri, mas entendem que a absolvição foi "manifestamente contrária às provas produzidas nos autos". "Durante a instrução processual e o julgamento, foram apresentadas provas que demonstram que Igor foi morto quando já estava rendido, impondo a responsabilização dos acusados. Diante disso, serão adotadas todas as medidas legais cabíveis para submeter a decisão ao reexame do Tribunal de Justiça", afirmaram. Os advogados informaram ainda que já recorreram da sentença e disseram confiar que o Tribunal de Justiça restabelecerá a correta aplicação da lei, determinando a realização de um novo julgamento pelo Tribunal do Júri. O g1 perguntou se o Ministério Público pretende recorrer da decisão do Tribunal do Júri, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Em 2024, por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que é possível recorrer de decisão do Tribunal do Júri quando há absolvição sem fundamentação específica, em sentido contrário à prova dos autos, por motivos como clemência, piedade ou compaixão. O júri Júri absolve dois PMs acusados de matar suspeito em Paraisópolis, na zona sul No fim de julho, o Tribunal do Júri absolveu os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados de executar Igor. O julgamento dos PMs durou três dias e aconteceu no Plenário 13 do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. A decisão ficou a cargo de sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres. "Realizado o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e a autoria delitiva quanto a amabos os réus e, em seguida, respondeu afirmativamente ao quesito absolutório, do que resultou a absolvição de ambos", diz a sentença. Com a absolvição, foi expedido o alvará de soltura que seria encaminhado para o cumprimento no Presídio Militar Romão Gomes. Imagens Exclusivo: novas imagens de câmeras corporais mostram outro ângulo de policiais militares atirando em jovem rendido À época, os agentes das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), do 16º Batalhão da Polícia Militar (BPM), alegaram que realizavam patrulhamento no cruzamento das ruas Rudolf Lotze e Pasquale Gualupi, em Paraisópolis, para combater o tráfico de drogas na região. O Ministério Público ofereceu denúncia ao Tribunal de Justiça em 22 de julho contra os quatro policiais envolvidos na ocorrência. A denúncia foi aceita pela juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri. Um semana depois, no dia 29 de julho do ano passado, a Justiça os tornou réus. Os vídeos mostram, por outro ângulo e de forma mais detalhada, a sequência que terminou com a morte de Igor, que tinha 24 anos. Em uma sequência de cerca de 20 segundos, Igor aparece inicialmente rendido, com as mãos sobre a cabeça. Nesse momento, o cabo Renato Torquatto da Cruz faz o primeiro disparo. Logo em seguida, o cabo Robson Noguchi de Lima também atira contra o jovem. As gravações mostram que, assim que os policiais chegam ao quarto onde estavam quatro suspeitos, todos se rendem. Durante a abordagem, é possível ouvir os policiais dizendo: "Perdeu, perdeu, perdeu." PMs com body cam atiram em Igor, mesmo ele tendo erguido as mãos para se render. Suspeito foi morto com dois tiros dados pelos agentes em Paraisópolis Reprodução Na sequência, o cabo Renato Torquatto da Cruz, ainda do lado de fora do quarto, pergunta se há alguém armado e dispara duas vezes contra as paredes do imóvel. Após os tiros, os quatro suspeitos se deitam no chão enquanto os policiais continuam perguntando sobre armas. Pouco depois, Robson Noguchi de Lima entra no cômodo, seguido por Renato Torquatto da Cruz, que pergunta a Igor se ele tem antecedentes criminais e se está armado. O jovem responde que não. O policial então manda Igor se levantar. Quando ele começa a obedecer, Renato dispara. Em seguida, Robson também atira. As imagens das câmeras corporais não mostram nenhuma arma com os quatro suspeitos. Após os disparos, os policiais passam a conversar a fim de inferir que o suspeito portava uma arma: "Tava armado, caralho. Tava armado". Em seguida, fazem um novo disparo contra a parede enquanto repetem ordens para que os suspeitos "soltem a arma". Depois, os policiais colocam luvas e seguem dentro da residência. Até o fim das gravações das quatro câmeras corporais, não há registro da apreensão de nenhuma arma com os quatro homens abordados. Investigação do DHPP aponta execução PMs executaram suspeito que estava rendido e desarmado. Reprodução/TV Globo Segundo os policiais, ao menos três suspeitos armados fugiram ao ver as motos da corporação e entraram em uma casa, localizada em uma viela, onde teriam se escondido. De acordo com as investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), as imagens das câmeras corporais mostraram que Igor foi vítima de execução. Nas gravações, é possível ver os PMs invadindo o imóvel e arrombando a porta do quarto onde Igor e outros dois suspeitos estavam escondidos atrás da cama. Assim que os agentes entram armados no cômodo, os três rapazes se rendem, com as mãos levantadas. Mesmo assim, os policiais aparecem gritando com os jovens, exigindo que entregassem armas, apesar de todos estarem desarmados. Igor aparece no vídeo da câmera corporal no lado esquerdo da imagem, levanta as duas mãos e as coloca atrás da cabeça, em um gesto claro de rendição. Câmera corporal mostra PM executando suspeito rendido durante operação em Paraisópolis