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Filho de faxineira e sapateiro, jovem de 18 anos consegue vaga em medicina na USP, Unicamp e Unesp

Jovem de escola pública de Franca (SP) passa na USP, na Unicamp e na Unesp Aos 18 anos, um aluno de escola pública de Franca (SP) foi aprovado em medicina nas...

Filho de faxineira e sapateiro, jovem de 18 anos consegue vaga em medicina na USP, Unicamp e Unesp
Filho de faxineira e sapateiro, jovem de 18 anos consegue vaga em medicina na USP, Unicamp e Unesp (Foto: Reprodução)

Jovem de escola pública de Franca (SP) passa na USP, na Unicamp e na Unesp Aos 18 anos, um aluno de escola pública de Franca (SP) foi aprovado em medicina nas universidades mais concorridas do Brasil. Filho de uma faxineira e de um sapateiro, Matheus da Silva Alves foi direto do terceiro ano do ensino médio para o curso com a maior nota de corte do país, podendo escolher entre USP, Unicamp e Unesp em Botucatu (SP). Os resultados são fruto da nota que o jovem atingiu no Provão Paulista, sistema de avaliação que abre vagas no ensino superior para alunos do estado. “Sempre mantive o foco na escola. Em alguns momentos a medicina parecia meio difícil por estar cada vez mais concorrida, ainda mais na USP. Mas nunca desanimei e sempre me mantive focado”, diz. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O estudante decidiu que vai começar sua carreira na USP de Ribeirão Preto. Para ele, ingressar na segunda melhor universidade da América Latina é a realização de um sonho. "Com 4, 6 anos eu via os médicos nos consultórios e achava legal. Conforme fui crescendo, fui me apegando ao que faz um médico, salvar vidas e ajudar as pessoas, é uma profissão honrosa“, diz. Como a paixão veio cedo, ela precisou vir acompanhada de disciplina e dedicação. Matheus entendeu que passar em medicina precisaria de mais horas de estudo. O resultado já vinha aparecendo de outras formas. Desde 2022, ele se destacou em olimpíadas nacionais de conhecimento em diferentes áreas. 1 medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Ciências 1 medalha de prata na Olimpíada Regional de Química 2 medalhas na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) 4 medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) “Todos os projetos educacionais que me eram oferecidos eu abraçava, pois não queria nem podia desperdiçar nenhuma oportunidade.” Dia a dia Filho de faxineira e sapateiro, Matheus precisava auxiliar na renda de casa e, durante a adolescência, trabalhou em uma pastelaria. O jovem era atendente aos finais de semana, feriados e férias, porque o dia a dia era focado nas apostilas. Ele saía de casa às 6h para ir à escola e ficava nas aulas até as 16h. Mas, mesmo estudando em tempo integral, sabia que ainda não era o suficiente. Ele chegava às 17h30 e estudava mais três horas. LEIA MAIS Aos 17 anos, aluna da rede pública passa em 2º lugar em medicina da USP Ribeirão Preto pelo Provão Paulista Aluno da rede pública supera dificuldades e comemora vaga na USP: 'Ficava na biblioteca da escola até fechar' Com a rotina intensa, Matheus encontrou suporte nos amigos, professores e familiares. Para ele, essa rede de apoio foi fundamental, tanto no processo de estudos quanto no período de provas. O pai, Hélio de Assis Alves, diz que sempre acreditou no filho. "A gente sempre procurou apoiar no que podia. Não temos condição financeira, mas sempre apoiamos. Agora é só alegria." Apaixonado por pop rock, o jovem também encontrou no violão e no piano uma forma de aliviar o estresse nas horas vagas. Além de curtir os sucessos das bandas preferidas, ele também conta que gosta de compor. O processo criativo da escrita o acompanhou ao longo dos últimos meses, enquanto prestava os vestibulares. “Me ajudou muito mesmo. Todos os dias, quando eu chegava da escola, ou nas férias, enquanto esperava o resultado, eu tocava pra me distrair”, diz. Matheus da Silva Alves tocando guitarra após dia de prova Arquivo pessoal Expectativas para o futuro Apesar da ansiedade para ser independente e começar os estudos, Matheus precisou pensar em como se manter fora da cidade. Ele já decidiu que vai procurar uma república para morar, mas ainda não tinha certeza como arcaria com os demais custos. "Foi quando meu pai deu a ideia de fazer uma vaquinha. Não tenho reserva e ficaria muito complicado meus pais pagarem para me manter lá, aí ele sugeriu isso. Ainda mais que eu não poderei trabalhar durante o curso, por ser integral." As expectativas estão altas. O jovem já está pensando nas especialidades e, por enquanto, está de olho em neurocirurgia, oncologia e plástica. Enquanto isso, o coração da família fica apertado com a ideia de o caçula mudar de cidade. A mãe, Ivani Aparecida Alves, conta que, apesar da preocupação, está orgulhosa e animada com a nova fase. "Eu tô muito feliz, já tô vendo ele lá no consultório, sentado na cadeira atendendo os pacientes." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região