Governo anuncia crescimento dos gastos federais para 2026 e eleva para quase R$ 24 bilhões bloqueio de despesas no Orçamento
Governo Federal sobe bloqueio de gastos no orçamento para quase R$ 24 bilhões O governo federal anunciou que vai gastar mais em 2026 e declarou que, por isso,...
Governo Federal sobe bloqueio de gastos no orçamento para quase R$ 24 bilhões O governo federal anunciou que vai gastar mais em 2026 e declarou que, por isso, elevou para quase R$ 24 bilhões o bloqueio de despesas no Orçamento. As despesas obrigatórias do governo federal, como salários e aposentadorias, cresceram mais que o esperado para 2026. A previsão anterior do governo era gastar menos, mas, na prática, vai gastar mais. Na revisão divulgada nesta sexta-feira (22), a equipe econômica estima que vai precisar de mais R$ 14 bilhões até o fim do ano para o BPC - Benefício de Prestação Continuada, pago a aposentados e pessoas com deficiência em famílias de baixa renda. O pagamento de benefícios previdenciários vai exigir mais de R$ 11 bilhões acima da estimativa anterior. Esse aumento, segundo o governo, é consequência principalmente das medidas tomadas para reduzir a fila de espera por benefícios do INSS, como o BPC. A equipe econômica fala agora em rever estimativas. “Nós estamos aqui ajustando as projeções do BPC nesse patamar para garantir que a dotação do BPC seja compatível com essas projeções, igualmente os benefícios previdenciários. Há uma projeção de aumento de R$ 11,5 bilhões nos seus valores, é um valor até na margem quando a gente considera o volume total de despesa previdenciária em torno de R$ 1 trilhão, falando em números redondos. Mas que, apesar de ser na margem para Previdência, tem um impacto relevante aqui para as nossas despesas”, diz Bruno Moretti, ministro do Planejamento. Governo anuncia crescimento dos gastos federais para 2026 e eleva para quase R$ 24 bilhões o bloqueio de despesas no Orçamento Jornal Nacional/ Reprodução Para cumprir a regra que estabelece um limite para os gastos, o governo precisa compensar o aumento de despesas obrigatórias cortando outras despesas, como investimentos. Por isso, a equipe econômica anunciou um novo bloqueio de mais de R$ 22 bilhões. Somado ao bloqueio que já tinha sido anunciado em março, ao todo, R$ 23,7 bilhões do Orçamento de 2026 terão que ser cortados. A previsão é fechar o ano com déficit nas contas públicas de R$ 60 bilhões. Mas o governo afirma que vai cumprir a meta fiscal de superávit porque pode retirar R$ 64 bilhões em despesas dessa conta e usar esse dinheiro, por exemplo, para precatórios, que são dívidas judiciais de pagamento obrigatório. Além desses gastos que não são contabilizados, economistas alertam que preocupa o crescimento da dívida pública, que alcançou 80% do PIB, a economia do país. Especialistas afirmam que é necessário rever gastos. "A falta de credibilidade hoje na política fiscal pressiona muito a taxa de juros e isso vem elevando a dívida e a dívida-PIB. Então, não basta a gente ter um número que se diz dentro da meta, se a gente tem vários subterfúgios e várias contas que são excluídas da meta e vários outros gastos fora do Orçamento. Isso tudo diminui a credibilidade fiscal do governo e vai continuar pressionando não só as expectativas de inflação, mas também as taxas de juros no Brasil”, afirma Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. “O caminho seria conseguir, de alguma forma, segurar um pouco o crescimento dessas despesas obrigatórias. Então, a gente deveria, de fato, repensar a forma como os gastos acontecem. E aí, a gente também tem que levar em consideração o que faz hoje com que essas despesas obrigatórias cresçam tanto”, diz Juliana Inhasz, economista do Insper. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Orçamento 2026: governo bloqueia R$ 22,1 bilhões após projetar gasto maior com BPC e benefícios previdenciários Orçamento 2026: economistas veem espaço apertado para investimentos em ano eleitoral; veja áreas afetadas