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Indígena que caminhava 8 km para estudar é aprovado em 1º lugar em medicina na UFPA e viraliza ao mostrar rotina

Indígena aprovado em medicina na UFPA viraliza ao mostrar rotina de estudos O jovem indígena Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, da etnia Sateré-Mawé, vir...

Indígena que caminhava 8 km para estudar é aprovado em 1º lugar em medicina na UFPA e viraliza ao mostrar rotina
Indígena que caminhava 8 km para estudar é aprovado em 1º lugar em medicina na UFPA e viraliza ao mostrar rotina (Foto: Reprodução)

Indígena aprovado em medicina na UFPA viraliza ao mostrar rotina de estudos O jovem indígena Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, da etnia Sateré-Mawé, viralizou nas redes sociais ao mostrar a rotina de estudos na Amazônia. Em 2025, ele foi aprovado em 1º lugar no curso de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira, no sudoeste do Pará. Porém, a aprovação e o sucesso nas redes sociais representam apenas uma parte de uma história que começou na comunidade Aninga, em Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas, onde ele nasceu e passou a infância. Em entrevista ao g1, Janilson contou que, todos os dias, caminhava cerca de 8 km para chegar à escola. A realidade da comunidade era marcada por muitas dificuldades: faltavam materiais escolares e, muitas vezes, ele não tinha caderno, lápis ou caneta para estudar. "Em diversas ocasiões, professores me doaram cadernos para que eu pudesse continuar frequentando a escola", relembrou. Janilson dos Anjos foi aprovado em medicina em 2025. Arquivo pessoal ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 Pará A família vivia da agricultura familiar e da pesca. Janilson cresceu ajudando os pais, Raimundo dos Anjos, de 82 anos, e Maria dos Anjos, de 75 anos, a vender banana, farinha e peixe. A partir das vendas, o amazonense conseguia comprar o próprio material escolar. A infância também foi marcada pela falta de acesso à saúde. Janilson relatou que muitas pessoas adoeciam de malária e dengue na comunidade e que viu crianças perderem a vida por causa dessas doenças. Um dos momentos mais difíceis foi perder um irmão para a malária. "Essas experiências ficaram marcadas em mim desde muito cedo", disse. A escolha pela medicina Janilson e os pais na época do ensino médio. Ao lado direito, ele com os pais após a aprovação em medicina. Arquivo pessoal Aos 15 anos, quando foi para o ensino médio, a família conseguiu se mudar para a sede de Boa Vista do Ramos. Foi quando Janilson passou a se dedicar ainda mais aos estudos. Sem condições de pagar cursinho e sem acesso à internet em casa, ele estudava sozinho, com materiais conseguidos por doação, por cerca de duas, três e, às vezes, quatro horas durante a madrugada. Ao mesmo tempo, continuava vendendo banana e farinha com a família. O interesse pela área da saúde surgiu quando Janilson acompanhou um tio que precisou sair do interior para Manaus. Lá, descobriram que ele tinha câncer. "Acompanhar o sofrimento dele e perceber as dificuldades que pessoas do interior enfrentam para conseguir atendimento médico despertou em mim a certeza de que eu queria ser médico", destacou. O jovem conta que foram seis anos de estudo tentando uma vaga em medicina. "Durante esse período enfrentei muitas dificuldades financeiras, ansiedade e depressão, mas nunca desisti. Na minha última tentativa, eu disse para mim mesmo que seria a última vez que faria vestibular", relembrou o estudante. Aprovado em 1º lugar O resultado foi um dos momentos mais marcantes da vida dele. Quando saiu o listão, Janilson procurou o próprio nome e não encontrou. Acreditou que tinha sido reprovado. Mesmo assim, resolveu assistir à transmissão da UFPA em que o coordenador lia os nomes dos aprovados. "Eu já estava conformado com a reprovação, apenas queria saber quem tinha conseguido a vaga. Então ouvi meu nome sendo anunciado em primeiro lugar. Fiquei sem acreditar. Foi um choque muito grande", diz. "Demorei dias para entender que aquilo realmente estava acontecendo." Janilson foi aprovado em primeiro lugar no processo seletivo especial para indígenas e tinha visto a lista de classificados no processo seletivo geral. LEIA TAMBÉM: Veja os nomes dos alunos no listão da UFPA. Rotina em uma nova cidade O jovem indígena mora em Altamira há cerca de um ano e meio. Arquivo pessoal Para iniciar a graduação, Janilson saiu de casa (AM) levando apenas uma mochila para Altamira (PA). No mesmo período, um dos irmãos sofreu um acidente, e parte do dinheiro que a família juntava para a viagem precisou ser usada no tratamento do familiar. Diante do imprevisto financeiro, o amazonense contou com a ajuda de amigos e seguidores nas redes sociais para custear a viagem até Altamira. Foi assim que Janilson conseguiu iniciar a graduação em medicina na UFPA. Atualmente, já no segundo ano de medicina, Janilson mora em Altamira com a mãe, que é diabética e hipertensa. Como ela precisa de acompanhamento constante, ele concilia os estudos com os cuidados com ela e com todas as responsabilidades da casa. Os dois vivem em uma kitnet e enfrentam dificuldades para manter as despesas de moradia, alimentação e os custos da graduação, que, apesar de pública, exige a compra de materiais que pesam no orçamento. Viral nas redes e os próximos sonhos Janilson começou a produzir vídeos nas redes sociais para mostrar como é a rotina de um jovem do interior da Amazônia estudando medicina. O indígena acumula mais de 260 mil seguidores em apenas uma das redes sociais em que é ativo. No primeiro vídeo que lançou nas redes, ele contava justamente que precisava se mudar para Altamira e não tinha condições financeiras para isso. A partir daí, a história dele alcançou milhares de pessoas e o fez receber mensagens de jovens que voltaram a estudar ou desistiram de abandonar os próprios objetivos. Após a conquista da vaga no ensino superior, o maior sonho de Janilson agora é se tornar um médico humanista, levar saúde às populações mais isoladas e desenvolver projetos que ampliem o acesso ao atendimento médico, especialmente para povos e comunidades tradicionais, ribeirinhos e pessoas de baixa renda na Amazônia. "Quero que as pessoas entendam que a educação pode mudar vidas e que alguém que nasceu em uma comunidade do interior da Amazônia também pode transformar a realidade de muitas outras pessoas", completou. 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