Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas
Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de...
Com acordo extrajudicial, GPA garante que lojas continuem funcionando A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), anunciou a companhia nesta quarta-feira (7), em comunicado ao mercado. O acordo prevê a reorganização de R$ 4,568 bilhões em dívidas e teve adesão de credores que representam 57,49% do valor total dos débitos incluídos no plano, acima do mínimo exigido pela legislação. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Justiça havia autorizado, em março, o processamento do pedido apresentado pelo GPA. Agora, com a homologação, o plano foi oficialmente aprovado e passa a valer nos termos acordados com os credores. O GPA entrou com o pedido em março, no mesmo dia em que anunciou um acordo com seus principais credores para renegociar as dívidas. 🔎 O que é recuperação extrajudicial? É um mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas diretamente com seus credores, sem passar pelo processo de recuperação judicial. O objetivo é obter condições mais favoráveis de pagamento, como prazos maiores, e reorganizar as finanças da companhia. Embora o acordo seja negociado diretamente entre a empresa e os credores, ele precisa ser homologado pela Justiça para produzir os efeitos previstos em lei. No caso do GPA, a negociação envolve principalmente dívidas financeiras. Impostos, dívidas trabalhistas e obrigações do dia a dia, como pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e aluguéis, ficaram fora do plano. Isso significa que as operações das lojas não fazem parte da renegociação. "A companhia reforça que suas operações seguem normais e que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial", afirmou o GPA em comunicado. Como as dívidas serão pagas De acordo com o plano homologado pela Justiça, os credores puderam escolher entre três formas de receber. A maioria (88,40%) escolheu a Opção A, sem desconto na dívida, mas com participação em um aporte de R$ 200 milhões. Parte do valor será convertida em títulos com juros e outra em títulos que poderão virar ações do GPA entre 2027 e 2031; Outros 8,34% dos credores escolheram a Opção B, que prevê um prazo maior para o pagamento, com vencimento em 2036 e remuneração atrelada ao CDI; Já os 3,26% restantes foram incluídos na Opção C, destinada aos credores que não escolheram as demais alternativas. Nesse caso, há um desconto de 70% sobre o valor da dívida, com início dos pagamentos apenas em 2032 e quitação prevista para 2036. Segundo a companhia, o principal efeito do acordo é dar mais tempo para a companhia pagar suas dívidas. Com a reestruturação, o prazo médio para o pagamento da dívida que não será convertida em ações passa de 2,1 anos para 6,4 anos. Além disso, a dívida terá juros equivalentes ao CDI, taxa usada como referência no mercado financeiro, mais 0,5 ponto percentual ao ano. Com isso, o GPA troca parte dos pagamentos que teria de fazer nos próximos anos por uma dívida com prazo mais longo, reduzindo a pressão sobre o caixa da empresa no curto prazo. Entenda a crise do Grupo Pão de Açúcar O Grupo Pão de Açúcar registra prejuízos anuais desde 2022, resultado de diversos fatores que pressionaram seus resultados. Entre os principais, estão: A queda no consumo, especialmente em períodos de alta na inflação de alimentos; Os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas da empresa; Os gastos com mudanças na gestão; O pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas; e As perdas de lojas com baixo desempenho. Nos últimos meses, o GPA acendeu um alerta no mercado financeiro ao informar, no balanço trimestral, que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo. Segundo nota, o grupo tinha um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão no fim do ano passado, causado principalmente por empréstimos e títulos que vencem em 2026. Assim, mesmo com melhora nos resultados, a empresa continuou a registrar prejuízo. "Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia", disse a empresa no documento, divulgado no final de fevereiro. A empresa afirmou ainda que já adotava medidas para: Reduzir riscos à operação, incluindo negociações com credores para alongar prazos das dívidas; Diminuir despesas e gastos com juros; e Converter créditos tributários em dinheiro para reforçar o caixa. O GPA passou por mudanças relevantes no último ano, com o Grupo Coelho Diniz assumindo a posição de principal acionista, com 24,6% das ações. O grupo francês Casino, ex-controlador, ainda detém 22,5% da empresa. Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Na sequência, o presidente-executivo Marcelo Pimentel, que estava no cargo desde 2022, renunciou. No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito diretor-presidente da companhia. Em 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões nas operações continuadas. Ao fim do ano, tinha dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta de R$ 4 bilhões. Nos últimos 12 meses, as ações do GPA, negociadas sob o código PCAR3, acumulam queda de 21,12% na bolsa. Loja do Pão de Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP