cover
Tocando Agora:

Mercosul-UE: em visita ao Brasil, missão europeia busca acelerar efeitos econômicos do acordo

Poucos dias após a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul, uma comitiva de deputados do Parlamento Europeu realiza visita ao Brasil em bus...

Mercosul-UE: em visita ao Brasil, missão europeia busca acelerar efeitos econômicos do acordo
Mercosul-UE: em visita ao Brasil, missão europeia busca acelerar efeitos econômicos do acordo (Foto: Reprodução)

Poucos dias após a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul, uma comitiva de deputados do Parlamento Europeu realiza visita ao Brasil em busca consolidar a implementação do tratado em reuniões com autoridades do governo, parlamentares, empresários e representantes da sociedade civil. Essas é a primeira visita da missão europeia desde que o acordo entrou em vigor de forma provisória no dia 1º de maio, após 25 anos de negociação. Enquanto a União Europeia aguarda o Parlamento Europeu aprovar o acordo com o Mercosul, os deputados europeus elogiam aprovação em tempo recorde da tramitação pelo Congresso brasileiro e afirmam que os avanços devem continuar mesmo diante de possíveis mudanças de governo. Acordo comercial Mercosul-UE começa a valer Segundo o chefe da delegação, deputado português Hélder Sousa, o objetivo é demonstrar, já nos primeiros meses, que o tratado pode gerar ganhos concretos e reduzir críticas políticas e econômicas dos dois lados. O presidente da delegação do Parlamento Europeu diz que há apoio transversal ao tratado entre parlamentares brasileiros de diferentes correntes políticas. “Falei com deputados e senadores da esquerda, do centro e da direita e todos eles me disseram: o acordo vai continuar independentemente da decisão do povo brasileiro”, disse Sousa em entrevista à GloboNews. “É um acordo que não depende do resultado eleitoral”, completou. A aposta da missão europeia é que os resultados práticos, nos próximos meses, ajudem a reduzir as críticas e consolidar o tratado como uma parceria estratégica de longo prazo entre Europa e Mercosul. Agenda com autoridades e empresários Em Brasília, os parlamentares europeus cumpriram uma série de encontros com autoridades brasileiras. A agenda incluiu reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicano-PB), e integrantes do Congresso Nacional, como os presidentes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. Os parlamentares também se encontros com membros do governo federal, como representantes dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além do Itamaraty. Um dos pontos centrais da visita foi a reunião interparlamentar entre Brasil e União Europeia, que resultou na decisão de criar um grupo de trabalho conjunto para acompanhar a implementação do acordo e resolver eventuais dificuldades. “Nós queremos garantir que a execução do acordo nos primeiros meses seja positiva e mostrar que é um acordo ganha-ganha para ambos os lados”, afirmou Hélder Sousa. Segundo o deputado europeu, o tratado prevê a redução de tarifas em cerca de 91% dos produtos comercializados entre os blocos, o que deve baratear exportações e importações ao longo dos próximos anos. Etapas ainda pendentes Apesar da entrada em vigor provisória, o acordo ainda precisa passar por etapas formais na União Europeia. O Parlamento Europeu decidiu submeter o texto ao Tribunal de Justiça do bloco para análise jurídica. Sousa afirmou que o processo pode levar de um ano e meio a dois anos, mas não deve impedir o avanço da implementação. "Já temos outros acordos em vigor nesse regime transitório. Isso não nos preocupa", afirmou o chefe da delegação europeia. Segundo ele, os efeitos econômicos serão graduais, já que a redução de tarifas ocorrerá ao longo de um período de até 15 anos, dependendo do setor. Sousa também destacou que o atual cenário internacional — com disputas comerciais e revisões de políticas tarifárias por grandes economias — acelerou o interesse dos dois blocos na conclusão do acordo. Para ele, tanto a União Europeia quanto os países do Mercosul buscam diversificar parcerias e reduzir dependências externas. “Nós despertamos para uma oportunidade. Há uma necessidade de diversificar parceiros comerciais e isso nos aproximou”, disse Hélder Sousa. O acordo Com o acordo em vigência, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu. ➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto. 🍎Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa. Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local.