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Ministério Público denuncia vereadora de Curitiba após fala contra colega nascida no Ceará

Vereadora de Curitiba manda colega ‘voltar para o Ceará’ O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou, na quinta-feira (6), a vereadora de Curitiba D...

Ministério Público denuncia vereadora de Curitiba após fala contra colega nascida no Ceará
Ministério Público denuncia vereadora de Curitiba após fala contra colega nascida no Ceará (Foto: Reprodução)

Vereadora de Curitiba manda colega ‘voltar para o Ceará’ O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou, na quinta-feira (6), a vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) pelo crime de discriminação/preconceito de procedência nacional contra a colega de Câmara, Vanda de Assis (PT). Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Curitiba desta quarta-feira (5), enquanto os vereadores discutiam a criação de uma Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua, Guzella questionou a vereadora Vanda, natural de Campos Sales (CE), "por que ela não volta para o Ceará". Assista ao vídeo acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Vanda utilizou a tribuna do plenário para falar sobre o projeto, e, em seguida, Guzella pediu espaço para se manifestar: Tathiana Guzella: Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará? Vanda de Assis: Eu sou de Campos Sales, no Ceará. Tathiana Guzella: Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui. Na concepção do Ministério Público, as declarações tiveram a intenção de ofender, humilhar e menosprezar não apenas a vítima, mas também a população cearense de forma geral. Além da condenação, o MP solicitou também que Guzella pague 20 salários mínimos, cerca de R$ 32.420, à vítima, por danos morais. O órgão solicita também uma indenização por dano moral coletivo no valor de 40 salários mínimos, aproximadamente R$ 64.840, destinada ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (FUNDEPPIR). Além disso, o Ministério Público sustenta que não cabem medidas como Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ou suspensão condicional do processo. Em nota, a vereadora Delegada Tathiana Guzella afirmou que recebeu a denúncia com surpresa, mas serenidade. Leia a íntegra do posicionamento: "Recebo com surpresa a denúncia, pois sequer fui intimada para prestar esclarecimentos sobre os fatos, mas recebo também com serenidade, reafirmando minha inocência. Esclareço que a intenção da minha fala, que foi interrompida antes da conclusão do pensamento, jamais foi xenofóbica, mas sim pontualmente política, a fim de refutar teses do projeto de lei que estava em discussão. Após eu ser formalmente citada, manifestar-me-ei nos autos", diz a nota. A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) virou alvo de uma representação de notícia-crime no MPF Reprodução/Câmara Municipal de Curitiba LEIA TAMBÉM: Sem previsão de liberação: Caminhoneiro brasileiro preso em nevasca na Argentina relata falta de comida Apreensão: Estudante de medicina no Paraguai é flagrado com 1.300 ampolas de tirzepatida em fiscalização Investigação: PF prende foragido por esquema de adulteração de combustíveis para lavagem de dinheiro do crime organizado em postos de Curitiba Vanda de Assis apontou a fala como xenofóbica Após Tathiana Guzella questionar a colega, a vereadora Vanda de Assis apontou a fala como xenofóbica. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão, interrompeu a palavra de Tathiana Guzella e desligou o microfone dela, destacando que ela poderia, posteriormente, continuar a manifestação. Vanda de Assis então reforçou o motivo pelo qual classificou a fala de Guzella como xenofobia e destacou que a prática é crime. "Essa prática de dizer: 'Por que você não volta para a sua cidade? Por que você veio para cá?' é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora. E a senhora será representada por isso. Não cabe, e eu não aceitarei, nenhuma prática xenofóbica, nem comigo, nem com nenhuma outra pessoa que escolheu morar em Curitiba [...] Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e um dos papéis que eu vou cumprir aqui é combater a xenofobia", afirmou Vanda. A vereadora do PT disse ainda que, ao fim da sessão, ligou para a Polícia Militar, a fim de registrar a situação. No entanto, conforme Vanda, nenhuma viatura ou equipe da corporação se deslocou até a Câmara. O g1 questionou a PM do Paraná sobre o relato da vereadora, mas a instituição não respondeu. Após o episódio, a Câmara Municipal de Curitiba recebeu ao menos cinco representações relacionadas ao caso. Quatro delas são em face da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) e uma em face da vereadora Vanda de Assis (PT). "Nos termos do Regimento Interno da Câmara Municipal de Curitiba, as representações serão submetidas à análise de admissibilidade pela Mesa Diretora, etapa destinada exclusivamente à verificação do cumprimento dos requisitos formais para seu processamento, sem qualquer apreciação do mérito. A Mesa Diretora se reunirá na próxima quarta-feira (12) para deliberar sobre essa fase inicial." "Caso estejam atendidos os requisitos procedimentais, as representações serão encaminhadas à Corregedoria, órgão competente para conduzir a instrução dos procedimentos e adotar as providências cabíveis. Em razão de as representações envolverem a corregedora da Casa, vereadora Delegada Tathiana Guzella, eventual instrução dos processos ficará sob a responsabilidade do primeiro-vice-corregedor, vereador Olímpio Araujo Junior (PL), conforme prevê o Regimento Interno", detalhou a Câmara Municipal. Vereadora Vanda de Assis (PT) e vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) Câmara Municipal de Curitiba VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.