MP denuncia quatro suspeitos de integrar núcleo do PCC acusado de monitorar promotor Gakiya e coordenador de presídios em SP
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária. Montagem/g1/Reprodução/T...
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta participação em uma organização criminosa armada ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo a investigação, monitorava autoridades públicas para subsidiar possíveis atentados. Entre os alvos do grupo estariam o coordenador da Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste (Croeste), Roberto Medina, e o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Lincoln Gakiya. Os denunciados são: Victor Hugo da Silva, conhecido como "VH" ou "Falcão"; Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício"; Sérgio Garcia da Silva, o "Messi"; Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado". A denúncia foi apresentada pelo Gaeco na última sexta-feira (24) e protocolada na Justiça na segunda-feira (27). Segundo o MP-SP, o grupo atuava de forma coordenada na coleta de informações sobre autoridades públicas, como endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e dados de familiares. O objetivo, de acordo com a acusação, era encaminhar esse material à chamada "Sintonia Restrita" do PCC, setor da facção apontado como responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra agentes públicos. Entenda o plano descoberto do PCC para matar promotor e coordenador de presídios de SP A Promotoria afirma que Victor Hugo era responsável por monitorar Roberto Medina em Presidente Venceslau, no interior paulista. Wellison, preso em outro processo por tráfico de drogas, receberia essas informações e faria o repasse à cúpula da facção. Já Sérgio seria encarregado de levantar dados sobre a rotina do promotor Lincoln Gakiya em Presidente Prudente, enquanto Adilson teria atuado como interlocutor do grupo e auxiliado na exclusão de diálogos e na destruição de vestígios digitais. Em outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou o plano do PCC. Na ocasião, oito homens passaram a ser investigados por suspeita de participação na elaboração do plano para tentar matar o promotor e o coordenador dos presídios. Cinco dos investigados foram presos, entre julho e setembro de 2025, por tráfico de drogas. A partir da prisão deles e da apreensão de seus celulares, descobriu-se o plano para matar Gakiya e Medina. O serviço de inteligência da polícia conseguiu ter acesso a informações que davam conta da intenção dos criminosos de executarem as autoridades (leia mais abaixo). Jefferson Santana ('Proibido'); Diego Lima (Lima); Wellison Almeida ('Corinthinha'); Victor Silva ('Falcão'); e Sergio Silva ('Messi') estão presos por tráfico Reprodução Provas De acordo com a denúncia, a investigação encontrou mensagens, registros de geolocalização, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e outros documentos relacionados ao monitoramento das vítimas. Também foram identificados, segundo o MP-SP, indícios de vínculos dos investigados com atividades do PCC, incluindo tráfico de drogas e de armas. O MP-SP sustenta que os quatro integravam, desde ao menos junho de 2025, uma estrutura organizada do PCC com divisão de tarefas voltada à prática de diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, delitos patrimoniais, crimes envolvendo armas de fogo e ações contra agentes públicos. Os promotores decidiram não denunciar o grupo pelo crime de ameaça. Segundo a peça acusatória, apesar da gravidade das condutas investigadas, não houve ameaças diretas às vítimas por palavras, escritos ou gestos, razão pela qual entenderam que os fatos se enquadram, neste momento, no crime de integração de organização criminosa armada. Vídeo mostra como integrantes do PCC traçaram trajeto percorrido por Medina Plano Em outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou um plano do PCC para executar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina, ambos com atuação na região de Presidente Prudente (SP). De acordo com as investigações, os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro do condomínio onde vive o promotor e usaram até drones para monitorar por meses a rotina dele e de Medina. As ordens para os ataques partiram de dentro de presídios federais e seriam executadas por integrantes da facção em liberdade. Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista. O caso é investigado pelo Gaeco e pela Seccional de Presidente Prudente.