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MPF abre inquérito para investigar suposta espionagem contra deputados no processo de privatização da Copasa

Fachada da Copasa Divulgação O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a contratação de uma consultoria pela Compan...

MPF abre inquérito para investigar suposta espionagem contra deputados no processo de privatização da Copasa
MPF abre inquérito para investigar suposta espionagem contra deputados no processo de privatização da Copasa (Foto: Reprodução)

Fachada da Copasa Divulgação O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a contratação de uma consultoria pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) por suspeita de monitoramento de parlamentares, autoridades públicas e lideranças ligadas ao debate sobre a privatização da estatal. A abertura do inquérito foi oficializada por meio de portaria publicada nesta segunda-feira (18). Segundo o MPF, a investigação busca apurar eventual violação de direitos fundamentais e possível descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na coleta e no tratamento de informações pela consultoria contratada pela empresa (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp O procedimento foi aberto após denúncia apresentada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), com base em reportagem publicada pelo jornal "O Tempo", em novembro de 2025, que relatou a contratação, pela Copasa, de uma consultoria para realizar um levantamento de "stakeholders" — termo usado para se referir a pessoas e grupos envolvidos ou impactados por determinado tema. Em nota reproduzida nos autos da investigação, a companhia afirmou que realiza estudos técnicos e análises estratégicas de forma periódica e que todas as contratações seguem normas de governança, controle e compliance. A empresa também declarou que atua com foco na universalização do saneamento e no respeito às instituições. Vídeos em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Privatização da Copasa: governo de MG divulga exigências para investidores interessados Contrato milionário Segundo os documentos enviados ao MPF, a contratação da consultoria ocorreu em maio de 2025 e teve valor total de R$ 6,872 milhões. De acordo com a denúncia, o material reunia informações sobre deputados estaduais, autoridades públicas, lideranças populares e representantes ligados ao setor de saneamento e às discussões sobre a desestatização da empresa. Os documentos analisados pelo MPF apontam que os relatórios produzidos pela consultoria continham monitoramento de redes sociais, posicionamentos políticos, histórico de votações e até referências à vida pessoal de parlamentares. A investigação também cita a existência de uma lista com mais de mil nomes monitorados. Estratégia em defesa da privatização Os documentos mencionam ainda estratégias de comunicação voltadas à defesa da privatização da companhia. Entre as mensagens sugeridas para a diretoria da Copasa estavam frases como "o modelo atual não garante agilidade nem volume de investimento" e "o Marco Legal não é uma escolha, é uma obrigação legal". O MPF afirma que, em análise preliminar, os fatos podem configurar violação ao direito à intimidade, à vida privada e à imagem das pessoas. O órgão também aponta dúvidas sobre a adequação da coleta de informações à LGPD, principalmente em relação ao tratamento de dados pessoais e dados considerados sensíveis. Para dar continuidade à investigação, o MPF solicitou o envio de documentos às partes envolvidas. O inquérito civil terá prazo inicial de um ano para conclusão, segundo o órgão. Vídeos mais assistidos do g1 MG