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'Ninguém me entendia': pais relembram dor de fazer dois velórios após hospital trocar corpo de bebê em Sorocaba

Pais relembram dor de fazer dois velórios após hospital trocar corpo de bebê em Sorocaba O casal Jéssica Siqueira, de 29 anos, e Rickelver da Silva, de 25 a...

'Ninguém me entendia': pais relembram dor de fazer dois velórios após hospital trocar corpo de bebê em Sorocaba
'Ninguém me entendia': pais relembram dor de fazer dois velórios após hospital trocar corpo de bebê em Sorocaba (Foto: Reprodução)

Pais relembram dor de fazer dois velórios após hospital trocar corpo de bebê em Sorocaba O casal Jéssica Siqueira, de 29 anos, e Rickelver da Silva, de 25 anos, morador de Salto de Pirapora (SP), viveu há dois anos uma semana que deixou marcas eternas na história da família. No dia 10 de julho de 2024, Bernardo, o primeiro filho deles, nasceu na maternidade do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Seis dias depois, a família precisou realizar dois velórios para o menino. Na primeira cerimônia, o corpo de Bernardo foi trocado pelo de outro bebê. A família processou o hospital e a empresa funerária pela troca dos corpos e pelo dano emocional e, em agosto de 2026, a Justiça encerrou o processo que reconheceu responsabilidade do CHS na falha de identificação dos corpos levados ao velório, encerrando o processo. A Secretaria do Estado de Saúde informou que "o caso está sob análise da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo". 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Pela primeira vez, os pais de Bernardo retomam a história daquele mês de julho. Para eles, as memórias deste luto se misturam com a busca por um esclarecimento sobre a confusão envolvendo a morte de dois recém-nascidos diferentes. “Bernardo nasceu com 3 kg, o corpinho que levaram no velório tinha 500g. Eu falava que aquele não era o meu bebê, que estávamos velando a criança errada, mas como ninguém da minha família chegou a conhecê-lo, achavam que essa minha fala era apenas de negação da situação no geral. Ninguém me entendia”, conta o pai. Família teve que refazer velório de bebê recém-nascido após corpos serem trocados no necrotério Arquivo pessoal A troca No dia 15 de julho de 2024, Rickelver e Jéssica receberam a confirmação da morte de Bernardo após cinco dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. O bebê havia nascido com gastrosquise, uma malformação da parede abdominal que faz com que a criança nasça com os órgãos para fora da barriga. O filho do casal foi submetido a uma cirurgia para a correção do caso, mas não resistiu ao pós-operatório. LEIA TAMBÉM: Família de cartógrafo reconhecido por mapas feitos à mão lança campanha para ajudar na recuperação do artista Caso Arthur: família lamenta cancelamento de remédio de R$ 20 milhões usado em crianças com distrofia muscular Com ordem judicial travada, pais criam campanha para transferir bebê de 1 ano internado em Sorocaba A perda do bebê foi comunicada a toda a família e o velório foi marcado para acontecer em uma funerária de Sorocaba (SP). Jéssica, a mãe de Bernardo, não pôde estar presente na cerimônia de despedida por razões de saúde. Portanto, Rickelver foi a única pessoa que estava no velório e que sabia pessoalmente como era Bernardo. “Quando chegamos lá na funerária, avisaram que o corpo ainda não tinha chegado. Esperamos e, quando começou o velório, eu estranhei o bebê que estava naquele caixão”, lembra Rickelver. Toda a desconfiança relatada pelo pai do bebê foi ouvida pela esposa dele quando ele retornou para casa. O casal era cúmplice na dor. A confirmação Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) é referência em captação de órgãos Reprodução/TV TEM No dia seguinte ao velório, Jéssica acordou com o som de uma ligação telefônica do hospital. De imediato, sua reação foi crer que o marido estava certo e que o final da história seria diferente. “Quando eu atendi, me veio aquela esperança: ‘Será que ele tá vivo?’ Será que confundiram mesmo o Bernardinho?’”. A voz do outro lado da linha pediu para que a família fosse até o hospital, onde receberam a notícia de que apenas uma das hipóteses estava correta. De fato, Bernardo havia sido confundido. Mas, de todo modo, o filho do casal estava morto. “Na hora que fomos lá, passamos por um corredor de internação normal, então eu ainda pensava na chance dele não ter morrido. Porém, quando chegamos na sala para conversar com a pessoa responsável, ela avisou: ‘olha, mãezinha, não sei como aconteceu isso, mas vocês fizeram o velório com o corpo errado. A outra família também está esperando para corrigirmos’”. Todos os procedimentos tomados em seguida estão em uma parte nebulosa da memória de Rickelver e Jéssica. Os registros estão documentados e separados em uma pasta que o casal poucas vezes acessa. Na época, foram feitos boletins de ocorrência para autorizar a exumação do corpo que a família enterrou primeiro. A outra família, responsável pelo bebê de peso menor ao de Bernardo, nunca foi apresentada ou conhecida pessoalmente pelo casal de Salto de Pirapora (SP). “No outro dia fizemos o velório correto, mas aí só estava nós dois e alguns poucos familiares. A maioria não conseguiu ir de novo”, lamenta Jéssica. Nome das mães era igual Algumas informações foram reveladas ao longo do processo que a família moveu para tentar entender o que aconteceu naquele dia. O CHS e a funerária foram ouvidos para esclarecer a participação e a responsabilidade de cada um na checagem da identificação dos corpos. De acordo com a investigação, sabe-se que o nome de ambas as mães dos bebês era o mesmo. Essa coincidência é apontada como a principal razão pela troca. Fórum Ministro Piza e Almeida em Sorocaba (SP) Ana Carolina Cirullo Na conclusão do processo, a responsabilidade da troca foi definida como do hospital. Isso porque, pela decisão do desembargador Fernão Borba Franco, o entendimento desta história está no fato de que, após o funeral do filho, os pais foram contatados pela instituição hospitalar e informados de que havia ocorrido uma troca de corpos no necrotério do hospital. Sendo assim, a Justiça entendeu que o equívoco ocorreu antes da liberação à funerária, não sendo possível atribuir responsabilidade à empresa. Para Jéssica e Rickelver, essa conclusão representa um reconhecimento da dor que a família enfrentou. De agora em diante, o objetivo é que a pasta de documentos sobre essa despedida volte a ficar guardada no armário da família, para dar espaço apenas às lembranças boas do que foram os dias com Bernardo. O casal agora se dedica também a uma nova rotina. Isso porque, há um ano, Jéssica deu luz a Cecília, a segunda filha do casal. Jéssica e Rickelver são pais de Cecília, que nasceu em 2025. Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM