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Por que a água não escoa? Especialista explica enxurradas em bairros de Rio Branco

Emurb afirmou que tem feito ações preventivas de execução e drenagem da rede de esgotos Com as fortes chuvas que têm atingido Rio Branco nos últimos dias,...

Por que a água não escoa? Especialista explica enxurradas em bairros de Rio Branco
Por que a água não escoa? Especialista explica enxurradas em bairros de Rio Branco (Foto: Reprodução)

Emurb afirmou que tem feito ações preventivas de execução e drenagem da rede de esgotos Com as fortes chuvas que têm atingido Rio Branco nos últimos dias, causando estragos em mais de 15 bairros, um problema antigo volta a ser debatido: por que a água da chuva não escoa e acaba ficando acumulada e causando alagamentos nos bairros da capital? O g1 ouviu o doutor em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal do Acre (Ufac), José Genivaldo do Vale Moreira, que explica como a escoação inadequada da água durante as chuvas intensas do inverno amazônico gera pontos de alagamento na capital. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp De acordo com Moreira, a capital cresceu em população e em área construída, contudo, serviços essenciais, como saneamento e drenagem, não vêm sendo prestados à comunidade da maneira como deveriam. Urbanização sem planejamento hidrológico e construções as margens de igarapés influenciam os desastres, segundo pesquisador Rede Amazônica “A situação quanto ao sistema de drenagem de Rio Branco é preocupante. A cidade cresceu e alterou desordenadamente a forma de ocupação do solo, mas sem a implantação proporcional de redes de micro e macrodrenagem, revelando um déficit histórico, agravado por limitações de manutenção e planejamento”, avalia. Um dos pontos defendidos pelo pesquisador é que, segundo ele, era feito em anos anteriores na capital a desobstrução da rede de drenagem urbana e dos igarapés no período que antecedia a estação chuvosa, portanto, um fator fundamental para a redução de alagamentos. LEIA MAIS: Após 13 dias, Rio Acre sai da cota de atenção em Rio Branco Enchente do Rio Acre: sobe para mais de 400 o número de desabrigados na capital “Com a descontinuidade dessas atividades por parte do poder público, observou-se um aumento significativo no número de pontos de alagamento, bem como na intensidade dos eventos, que passaram a atingir um contingente maior de pessoas e a gerar prejuízos sociais e econômicos cada vez mais expressivos”, destacou Moreira. Ao g1, a assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), afirmou que tem feito ações preventivas de execução e drenagem da rede de esgotos da capital. Contudo, depende das ações que são enviadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Seinfra). “A Emurb executa as ações que a Seinfra envia, o órgão não tem autonomia de planejamento próprio. Ainda assim, a limpeza de drenagem tem sido feita durante o ano todo, bem como a recuperação, limpeza e desobstrução de bueiros que é feita pela Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade (SMCCI)”, afirmou. A assessoria também explicou que o órgão tem uma programação diária para o serviço de recuperação e drenagem. “Os trabalhadores são distribuídos em diversas áreas. Mas com a incidência de muitas chuvas, o serviço acaba fugindo da programação”, pontuou a Emurb. Urbanização acelerada Ponte sobre o Igarapé Batista ficou coberta por água Pedro Marcelo/Rede Amazônica Acre Ainda segundo o pesquisador da Ufac, as causas destes problemas de drenagem são interligadas na capital. Entre os fatores estão a urbanização sem planejamento hidrológico, sobretudo nas construções às margens de igarapés e a baixa cobertura de redes pluviais subterrâneas. “Todos esses fatores são somados à dificuldade de financiamento contínuo e de governança específica para a drenagem urbana, que tradicionalmente recebe menos atenção que outros serviços. O resultado é um sistema frágil, que funciona no limite e entra em colapso quando ocorrem chuvas mais intensas”, pontuou. Outro conceito apresentado como solução pelo professor são as chamadas ‘cidades esponjas’, conceito de urbanismo sustentável que transforma cidades em sistemas que absorvem, armazenam, filtram e reutilizam a água da chuva, em vez de apenas drená-la, além de manutenção contínua, planejamento por bacias urbanas e controle rigoroso da ocupação do solo. “A ideia é se adaptar às incerteza hidrológicas e climáticas, adotando técnicas modernas de drenagem urbana. O objetivo central é retardar e regularizar o escoamento, reduzindo os picos de vazão e adequando-os à capacidade dos canais principais. Além disso, medidas como jardins de chuva e telhados verdes contribuem para reduzir enxurradas e aumentar a resiliência da cidade frente a eventos extremos”, acrescentou. Estragos Nessa segunda-feira (12) foi a quarta vez, desde o dia 9 de dezembro, que o manancial também ultrapassou a cota de atenção de 10 metros, após ficar 13 dias acima desta marca e recuar. Na ocasião, o Igarapé Batista transbordou no Bairro da Paz, em Rio Branco, e 17 bairros já foram afetados por enxurradas. Já no bairro Plácido de Castro, moradores relataram que os transtornos são frequentes sempre que chove com mais intensidade. O eletricista e presidente do bairro, Cleiton Nogueira, afirmou que ‘a população já espera os alagamentos quando a chuva começa durante a noite’. Cleiton Nogueira, morador do bairro Plácido de Castro, em Rio Branco Júnior Andrade / Rede Amazônica Apesar dos danos, nenhuma família precisou ser retirada de casa até a manhã desta terça (13), após avaliação técnica das equipes do órgão. Outros pontos da cidade seguem sendo monitorados, com ações preventivas e vistorias em bairros considerados mais vulneráveis. Com previsão de 287,5 milímetros para janeiro, apenas nos primeiros 12 dias já choveu 220 mm, o que representa, aproximadamente, 76,6%. VÍDEOS: g1