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Sindicato e MPT alertam para casos de violência e violações contra domésticas no MA

Agressão expõe violência doméstica no trabalho O caso da empregada doméstica grávida que denunciou ter sido agredida pela ex-patroa após ser acusada de f...

Sindicato e MPT alertam para casos de violência e violações contra domésticas no MA
Sindicato e MPT alertam para casos de violência e violações contra domésticas no MA (Foto: Reprodução)

Agressão expõe violência doméstica no trabalho O caso da empregada doméstica grávida que denunciou ter sido agredida pela ex-patroa após ser acusada de furtar uma joia no Maranhão não é isolado. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, inúmeros trabalhadores enfrentam situações de humilhação, violação de direitos e pressão, mas permanecem em silêncio. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Atualmente, 735 profissionais no estado são sindicalizados. O número é considerado baixo diante de um cenário em que muitos trabalhadores ainda não conhecem os próprios direitos e em que a falsa intimidade pode mascarar violações. Para Rafael Mondego Figueiredo, procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Maranhão, os trabalhadores domésticos são considerados um dos mais vulneráveis, devido a relação de afeto que é, em muitas vezes, desenvolvida com os patrões. "Eu diria que é um dos trabalhadores mais vulneráveis. Porque se desenvolve uma relação de afeto, a pessoa muitas vezes se considera membro da família e isso abre espaço para uma série de explorações, por exemplo, imposição de jornada absurdas que vão muito além do limite legal, segregação quando a pessoa é obrigada a comer uma comida diferente da sua patroa e a situações de trabalho escravo doméstico", explica o procurador-chefe. Carteira de trabalho Geraldo Bubniak/AEN A emenda constitucional que ampliou os direitos da categoria completou 13 anos, mas, na prática, essas garantias nem sempre são cumpridas. Ainda de acordo com o sindicato, a maioria dos trabalhadores domésticos no Maranhão é formada por mulheres pretas ou pardas, realidade que, segundo especialistas, reflete desigualdades históricas. "Principalmente refletem ainda como as relações de trabalho no âmbito doméstico, remetem a um período da escravidão, a um período que o serviço doméstico não era reconhecido como de fato é. Uma prestação de serviço não reconhecida na dignidade daquele trabalhador, é um reflexo de uma assimetria de classe, de gênero, aspectos que apontam para o não reconhecimento de uma cidadania", explica Tadeu Teixeira, sociólogo. Maria Isabel Castro, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Maranhão afirma conhecer essa realidade de perto. Ela relata que começou a trabalhar ainda na infância e, aos oito anos, foi levada para servir a uma família, de onde precisou ser resgatada. "Passam aqui no sindicato narrativas não igual ao dela, mas que não deixam de ser violência. Jornadas exaustivas, violência psicológica, moral, violência patrimonial que é quando a carteira da empregada é guardada, racismo. A trabalhadora sempre está se culpando achando 'não, o empregador é bonzinho, ele pagava todos meus direitos', e quando vamos ver, está faltando vários direitos", disse. Empresária é investigada por agredir doméstica grávida PMs que atenderam caso de patroa que agrediu doméstica são afastados; agressora disse que não foi levada à delegacia por conhecer policial Reprodução/Redes sociais A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é investigada pela Polícia Civil por suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses. Três semanas após a agressão, a jovem ainda se recupera dos traumas emocionais. A jovem denunciou ter sido espancada pela empresária Carolina Sthela após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. Grávida de seis meses, disse que tentou proteger a barriga durante os golpes. "Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, relatou. As agressões aconteceram em 17 de abril, na casa onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Segundo a jovem, ela foi puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos e murros. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse. Áudios revelam suspeita de agressão a empregada em Paço do Lumiar A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão pediu, nesta quarta-feira (6), a prisão preventiva de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada por tortura e violência contra uma empregada doméstica grávida. O crime, segundo a OAB-MA, é classificado como tortura agravada, já que a vítima era gestante, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. A OAB também destacou o histórico criminal de Carolina, que inclui: Condenação por furto qualificado, com pena superior a 6 anos; Condenação por calúnia, com acusação falsa contra funcionárias; Processos e medidas protetivas por violência doméstica; Diversas ações cíveis e dívidas. SAIBA MAIS SOBRE O CASO: Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica grávida no MA: 'Não era pra ter saído viva' Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que tentou proteger bebê durante ataques: ‘Não se importavam’ Suspeita de agredir doméstica grávida no MA diz em áudio que não foi levada à delegacia por conhecer policial Patroa que agrediu empregada grávida no MA já foi condenada por falsa acusação de roubo contra ex-babá PMs são afastados após patroa que agrediu doméstica no MA afirmar não ter sido levada à delegacia por conhecer policial Doméstica tinha rotina exaustiva OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura Reprodução/Redes sociais/TV Mirante A doméstica relatou ter recebido R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviços realizados na casa da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. Segundo a vítima, ela acumulava funções e cumpria uma jornada de quase 10 horas de trabalho. O g1 teve acesso ao depoimento da jovem, prestado nesta quarta-feira (6), na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, que investiga o caso. Ela relatou detalhes da rotina de trabalho na casa da ex-patroa. Entre as atividades que deveriam ser feitas pela jovem, estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros. Ao chegar ao local, a jovem afirmou que começou a trabalhar sem ter acertado previamente o valor do serviço. Segundo o relato, a jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. Áudios expõe a agressão Áudios enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões e foram anexados ao inquérito, de acordo com a Polícia Civil. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela. Nos áudios, a mulher contou que teve ajuda de um homem, ainda não identificado, para pressionar a empregada de forma violenta. Na manhã do dia 17 de abril, ele foi armado até a casa de Carolina. “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava." O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Carolina Sthela não foi presa nem indiciada até o momento. Segundo a Polícia Civil, ela é alvo de mais de dez processos. PMs que atenderam ocorrência da agressão são afastados Suspeita de agressão detalha ataques contra doméstica em áudios Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência de agressão, envolvendo Carolina Sthela e a empregada doméstica, foram afastados das funções. A informação foi confirmada pela Polícia Civil à TV Mirante. O afastamento ocorreu após a divulgação de áudios enviados pela própria empresária em um grupo de mensagens, obtidos com exclusividade pela TV Mirante. Nos áudios, Carolina descreve as agressões que fez contra a vítima e afirma que não foi levada à delegacia, pois um dos policiais envolvidos na ocorrência seria seu amigo. De acordo com Carolina, o policial, que não teve o nome divulgado, teria dito que, devido aos hematomas visíveis no corpo da vítima, ela deveria ter sido conduzida à delegacia, o que não aconteceu. “Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina. ➡️ A produção da TV Mirante confirmou a veracidade dos áudios com a Polícia Civil do Maranhão, a qual informou que as mensagens já estão anexadas ao inquérito. Procurada pelo g1, a empresária Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela também declarou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado (veja mais abaixo a nota na íntegra). Suspeita das agressões tem mais de dez processos contra ela A empresária Carolina Sthela é suspeita de agredir a ex-funcionária de 19 anos na Grande São Luís Reprodução/TV Mirante A polícia também informou que existem mais de dez processos envolvendo Carolina Sthela. Em um deles, de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, e a sentença foi proferida em outubro do ano passado. A acusada foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto, mas a pena foi substituída por prestação de serviço comunitário. Ela também foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais. A produção da TV Mirante também conversou com Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos e que, atualmente, não mora mais no Maranhão. Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Ela também afirmou que a indenização por danos morais ainda não foi paga. “Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela me viu saindo com as minhas malas e falou que ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia dizer que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei: ‘Eu não roubei a pulseira do seu filho, mas, se você quiser ir lá, pode ir, que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas.’” O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica "Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito. Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal. Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal. Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos. Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual. Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça. Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026."