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'Três viagens, R$ 300 mil': áudios e mensagens expõem lucro de batedores em mega esquema de transporte de drogas em MG

Áudio revela quanto batedores ganhavam em esquema que transportou 6 toneladas de droga A organização criminosa investigada na Operação 'Luxury', da Força ...

'Três viagens, R$ 300 mil': áudios e mensagens expõem lucro de batedores em mega esquema de transporte de drogas em MG
'Três viagens, R$ 300 mil': áudios e mensagens expõem lucro de batedores em mega esquema de transporte de drogas em MG (Foto: Reprodução)

Áudio revela quanto batedores ganhavam em esquema que transportou 6 toneladas de droga A organização criminosa investigada na Operação 'Luxury', da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Uberlândia, montou um esquema estruturado para transportar drogas entre três estados sem ser interceptada. Segundo a polícia, 24 pessoas foram presas, e três continuam foragidas. Miss Uberlândia é presa em São Paulo em operação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro Áudios e mensagens interceptados durante a investigação mostram como funcionava a logística do mega esquema e revelam detalhes da atuação dos chamados "batedores", responsáveis por alertar motoristas sobre barreiras policiais. As conversas também mostram que essa função era altamente lucrativa para os criminosos. O grupo usava comboios, trajetos alternativos pelas rodovias conhecidas por “rota caipira” e até internet via satélite para monitorar o transporte em tempo real. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp A TV Integração teve acesso com exclusividade às conversas que ajudaram a embasar a investigação da Ficco. Em um dos áudios, um investigado descreve a função de batedor e relata os ganhos no esquema: “Três viagens com o cara, fez 300 pau. É dinheiro, hein”. Ouça acima. Em outro trecho, o investigado explica que os deslocamentos eram contínuos e envolviam mudanças frequentes de rota para evitar fiscalização. Menciona ainda que, durante uma das viagens, fez só uma parada na cidade de Três Lagoas (MS) para poder olhar se a viatura policial passaria pela rodovia. Além dos áudios, mensagens trocadas entre os investigados mostram que o esquema pagava, em média, R$ 25 mil por viagem. Em uma das conversas, um suspeito identificado como Leonardo afirma que o rendimento poderia chegar a R$ 1,2 milhão por ano. Segundo a Ficco, ele era uma espécie de olheiro no esquema integrando o núcleo logístico da organização, responsável por apoiar o transporte das drogas. Em outra troca de mensagens, o investigado diz que pretende deixar o esquema após atuar como batedor, indicando que a função seria mais vantajosa financeiramente. Ao ser questionado pelo destinatário das mensagens sobre como ocultaria o dinheiro, ele responde diretamente: “abro loja”. Segundo a Ficco, a abertura de empresas de fachada era uma das estratégias usadas pela organização para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Prints de conversas que investigado menciona pagamentos aos batedores do esquema Ficco/Reprodução Conversa mostra atuação em tempo real Em outro áudio interceptado em Uberlândia, um motorista que transportava a droga conversa com um batedor responsável pela escolta. Na gravação, o motorista pede orientação sobre o trajeto, e o batedor afirma que o caminho estava sendo monitorado por outros integrantes do grupo. Ouça a seguir. Diálogo entre escolta e motorista em viagem que terminou em acidente com drogas A conversa mostra como os criminosos atuavam de forma coordenada, com comunicação em tempo real para reduzir riscos durante o transporte entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Imagens obtidas na investigação mostram veículos equipados com sistemas como o Starlink, que garantiam contato constante mesmo em áreas remotas. Dessa vez, a entrega não foi concluída. A caminhonete que transportava mais de 1 tonelada de maconha capotou durante perseguição policial, que terminou em Frutal, no Triângulo Mineiro, no ano passado. A partir desse flagrante, o grupo passou a ser monitorado pela Polícia Federal. LEIA TAMBÉM: Operação 'Resort do Crime' mira tráfico e lavagem de dinheiro Tolerância Zero: PM remove motos e bicicletas motorizadas irregulares Homem chamado para acompanhar operação acaba preso por não pagar pensão Veículos usavam starlink para comunicação durante trajeto de drogas entre MS, SP e MG Ficco/Reprodução Grupo contava com núcleos logístico e financeiro A Ficco identificou um núcleo logístico responsável por preparar veículos, monitorar estradas, coordenar deslocamentos e garantir que cada etapa da operação ocorresse no momento certo. Segundo a polícia, esse suporte era essencial para o funcionamento do esquema. "Foi uma operação extremamente complexa adentrando na região do Triângulo Mineiro. Eles passavam uma viagem que, teoricamente, demorava dez, doze horas, demorava às vezes 10 dias ou 15 dias. Por meio de estradas vicinais, aguardavam quando tinha alguma preocupação e dormiam no carro. Obviamente, há batedores que vão na frente ou verificando o caminho comunicando via starlink de comunicação. Tudo com o objetivo final de se chegar a droga à região do mineira", destacou o delegado da Polícia Federal e supervisor da Ficco, Dalton Marinho Vieira Junior. Outra estratégia que chamou a atenção da polícia foi o uso de galões de combustível dentro dos próprios carros, o que permitia longos deslocamentos sem parar em postos, reduzindo ainda mais o risco de abordagem. Paralelamente, a organização também atuava na lavagem de dinheiro. Conforme a apuração, eram usadas empresas de fachada, contas de terceiros e transferências financeiras fracionadas, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos valores obtidos com o tráfico. A movimentação financeira considerada atípica ultrapassa R$ 34 milhões, e a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 60 milhões em bens dos investigados. Entre os investigados dentro do chamado "núcleo financeiro" da organização criminosa está a miss Uberlândia, Sara Monteiro, de 36 anos. Ela é esposa de um dos principais alvos da Operação Luxury, apontado como um dos chefes do grupo suspeito. Sara foi presa temporiamente em São Paulo, onde passou a morar recentemente. O g1 não conseguiu contato com a defesa dela. Segundo os investigadores, a exposição da vida de luxo incompatível com renda lícita chamou a atenção durante o andamento das apurações. "De fato nos chamou a atenção no curso das investigações que alguns de seus integrantes ostentaram uma vida economicamente incompatível com sua realidade, com veículos, viagens e até a participação de uma miss que era ali esposa ou namorada de um dos integrantes", afirmou o delegado da Polícia Civil e integrante da Ficco, Rafael Herrera. Mandados e balanço da operação A Operação Luxury teve como objetivo o cumprimento de 27 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, incluindo Uberlândia, Uberaba, Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Vista Alegre. Em Uberlândia, a polícia apreendeu mais de 20 veículos de luxo, como Porsche, BMW e Hilux, e cumpriu mandados em condomínios de alto padrão no setor sul. "A operação obteve um grande êxito. Mais de 95% dos presos foram localizados, todavia encontra-se ainda três foragidos. Devido a essa integração de todas as forças policiais, obviamente, isso contribui e muito para a localização desses investigados que, espero muito positivamente que a gente consiga entregá-los ao sistema penitenciário", concluiu Dalton, supervisor da Ficco. Operação Luxury; FOTOS VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas